Emanuela Sousa

04/10/2020
 
A crônica que vai te fazer refletir 
 
 
Antes de começarmos eu gostaria que você pensasse sobre isso: 
 
você vive a sua vida ou apenas existe? 
 
Esta foi a reflexão que mais me levou a introspecção da semana.  Eu estava com a cabeça a mil, resolvendo pendências, problemas comuns do cotidiano. A tpm virou de inimiga à parceira. Ela me fez prestar mais a atenção nas milhões de emoções que borbulhavam dentro de mim. Um barulho, uma confusão escondida que queria explodir. 
Nem mesmo a correria, a tpm e o stress fizeram com que eu parasse de refletir sobre isso, a voz interna me dizia: Por quanto tempo eu vivi sendo o que os outros queriam que eu fosse?  
 
Quando eu falo "querer o que eu fosse" é justamente vestir padrões limitados que a sociedade considera o normal, o aceitável. Vale lembrar que está tudo bem se você sente confortável vestindo - se neste padrão. Permita-me também questionar se você está feliz consigo mesmo... Sua essência está salva?  Se a resposta for sim, perfeito. 
 
Existe o outro lado, dos que estão esgotados, infelizes em sobreviver  sendo outra pessoa em sociedade. Uma repreesão, quase que silenciosa, mas dolorosa que vai violentando aos poucos, até nos consumir por inteiro. Até que você não se reconheça mais. E essa violência quase que insustentável vai abrindo feridas, gerando desconforto e transtornos, tais como a ansiedade, depressão chegando até ao suicídio. Chega uma hora que sorrir, vestir e ser algo que voce não é, somente para brilhar aos olhos da sociedade, cansa. Chega um momento que é necessário abandonar o fardo, despir das armaduras, seguir um rumo e ser feliz...
 
Ainda é muito dificil falar sobre este assunto sem que eu não me emocione. Dói encarar esse assunto na terapia, porque é como ver um filme se passando pela minha cabeça de um passado não tão distante em que fui muitas vezes oprimida e impedida de ser quem eu sou de uma forma sútil, lecionada em voz de veludo. Naquela época por inocência ou desinformação eu cedia. Palavras que, na realidade são duras de serem ouvidas.
 
Já faz um tempo que tirei essas armarduras e assumi a minha essência...  Mas, ser de verdade tem um preço e recebo consequências em troca. Quando você assume a responsabilidade de ser você mesmo esteja ciente que estará severamente exposto aos julgamentos alheios, aos ataques e a violência, seja ela moral ou física. 
Você corrompe com o que a sociedade espera de você, para se sentir confortável dentro de sua própria pele. 
E isto?... Não tem preço. 
 
Não estamos à sós no tumulto, não precisa ocultar nada, mas temos que exigir respeito. Estamos lutando pelo direito de ser quem a gente quer, sem precisar vestir os rótulos. E isso vai pedir coragem, um cuidado especial para tratar de suas feridas e maturidade para levar informação onde o conhecimento ainda não chegou.
 
O caminho que segue à desconstrução da sociedade contemporânea é um trabalho feito em equipe em que ninguém solta a mão de ninguém, uns apoiam aos outros.  Por isto, é importante perguntar para si e para os seus:
 
"Você é de verdade? Ou só o que mandaram ser?"