Cefas Carvalho

21/10/2020
 
Protocolos de Insegurança contra (ou a favor) da Covid-19
 
Por razões profissionais ou envolvendo projetos meus, transitei muito entre Parnamirim e Natal nas últimas duas semanas. Sei que ainda estamos em pandemia e ando de máscara todo o tempo (a não ser quando comendo ou bebendo e em entrevistas) e com álcool em gel no bolso. Lavo as mãos a todo momento e evito proximidade e aglomerações. Faço o que posso, ainda que não seja o ideal e tento, como quase todo mundo, me adaptar a esse ´novo normal`de cuidados e tensões.
 
Dito isso, tenho de registrar que em parte considerável dos lugares públicos e estabelecimentos já existe uma sensação coletiva de que a pandemia já acabou e que o vírus sumiu. Não falo de negacionismo ideológico nem de afrontas explícitas, como a dos boêmios do Leblon, mas de falta de cuidado e de pequenas negligências mesmo.
 
Dia desses parei para almoçar em um restaurante simples, de bairro, em Parnamirim e percebi o garçom que veio à mesa sem máscara. Os outros, com máscaras no queixo. Até pensei em reclamar ao dono mas quando vi no caixa o cara com ares de gerente sem máscara apertando a mão de um conhecido, percebi que era inútil.
 
Em alternativos e ônibus a situação parece a mesma. Grande parte até adota os protocolos, mas, há sempre quem se descuide. E estamos falando de lugares onde se lida com dinheiro em cédulas e moedas constantemente,
 
A impressão é que parte dos estabelecimentos e pessoas adotou protocolos de insegurança. As máscaras estão ali, mas, geralmente nos queixos. Os recipientes de álcool em gel idem, mas ninguém os usa. Cumprimentos que poderiam se limitar a um toque de punho protocolar voltaram a ser apertos de mão calorosos. Sabonetes nas pias dos bares voltaram a rarear. Parece um acordo coletivo para trabalhar a favor do vírus, Complicado.
 
E isso em um momento em que o número de casos de infectados voltou a subir no Estado, apesar do de óbitos continuar em queda. Mais casos significa mais possibilidades de contágio, o que pode fazer rapidamente a curva de mortes subir. É matemática básica.
 
Uma pena. Porque é possível - e necessário - que vivamos o ´novo normal` e a retomadas das atividades econômicas. Mas, isso dentro dos protocolos de cuidados. E preocupação com o coletivo. Infelizmente artigos mais em falta do que papel higiênico em começo de isolamento.