Wellington Duarte

07/11/2020
 
Eleições chafurdentas nos EUA: A democracia dos pés de barro
 
 
Nesta semana vimos a maior potência do planeta expor as suas entranhas. Os Estados Unidos da América que, para muitos brasileiros é a “maior democracia do mundo”, é a “terra da liberdade” e “exemplo de democracia”, viu um presidente tresloucado, ameaçando implodir o sistema erguido pelos fazendeiros escravistas em 1776 e que perdura até hoje, e que já de mostra de caduquice; um sistema eleitoral bizarro, quase um enigma para muitos cientistas políticos e absolutamente desconhecido dos brasileiros que se interessam pelo “Tio Sam”; uma população que quer tirar o falastrão que levou aos EUA a um beco sem saída econômico, político e social, que está dividida entre o “ir para a frente” ou “ir para trás”.
 
As eleições dos EUA, um verdadeiro banzé, também provocaram reações de outro presidente da república, este bem menos importante que a calopsita furibunda da Casa Branca, que parece estar na sua sala, no Palácio do Planalto, com a sua “txurma”, um bando de beócios desqualificados, provavelmente de bermuda e torcendo loucamente para uma virada do Trump, ou seja, o que movimentou o mandrião não foi a catastrófica crise econômica e social que assola o BraZil e sim a torcida por Trump. 
 
Mas esse artigo não é para explicar as atitudes desse elemento que está na presidência pois suas ações são “auto explicáveis” e muito menos me disponho a dar uma profunda explicação sobre o sistema político-partidário dos EUA, pois não cabe nesse artigo dada a sua complexidade, mas posso resumir canhestramente que o “Grande Irmão do Norte” tem um sistema partidário sem partidos; e um processo eleitoral confuso e desigual, que deixa de fora simplesmente 50 milhões de norte-americanos. Enquanto o sistema se comportou e o povo não decidiu gritar, funcionava direitinho.
 
Em 2000 Al Gore foi o candidato mais votado e quem subiu ao poder foi Bush, que lançou os EUA numa grotesca e macabra aventura, gerando nada menos que uma al-Qaeda. Em 2016 Hillary Clinton teve mais votos que Trump, mas foi o bufão reacionário que se tornou presidente da República. Não tem um sistema centralizado de organização do processo eleitoral, o que gera uma confusão em que olha e um furdunço no processo.
 
Os EUA adoram passar a imagem de uma democracia consolidada e se metem em todas as eleições nos país, se os tais “interesses da nação” estiverem jogo, e detesta quando olham para o seu umbigo e no BraZil, os que admiram a democracia norte-americana devem estar envergonhado, o que duvido, dado que boa parte desse povo acha que os EUA são a Miami, Las Vegas, New York e que o país respeita as liberdades individuais, o que não deixa de ser verdade, principalmente quando o portador dessa liberdade porta fuzis automáticos.
 
A importância da eleição no Império, e por isso estou escrevendo esse artigo, é que a estabilidade norte-americana não deixa de ser importante para o mundo e uma política exterior menos sombria pode, pelo menos, diminuir a sede de sangue dos burocratas do sistema de poder dos EUA.
 
Trump foi derrotado, mas o “trumpismo” pode ter vindo para ficar. Caberá àqueles que acreditam na democracia e na civilização, colocar esse monstro novamente na jaula.
 
Aguardemos.