Eliade Pimentel

19/11/2020
 
Com protetor solar e batom eu vou à luta
 
 
Certa vez ao falar sobre como encaro a vida, eu disparei essa frase que se tornou uma espécie de slogan: “com protetor solar e batom eu vou à luta”, que resume o meu jeito de ser e de estar. Quero dizer que só preciso mesmo me proteger do sol e garantir a vitalidade dos lábios, para dar a conotação que estou pronta para o que der e vier. Não sou muito de convenções, frescuras, mimimi ou xurumelas. 
 
Se for para passear, jogo a mochila nas costas e vou em busca de aventura. Não tenho muitas perguntas sobre o rolé, apenas o básico. Tenho casa de locação temporária e fico surpresa como as pessoas idealizam estar em sua própria casa, e não num ambiente diferente. Tem gente que pergunta se temos televisão. Como a casa tem uma linda vista para o mar, respondo sorrateiramente que temos um cinema e não apenas uma telinha. 
 
Muitos levam compras enormes, mesmo que eu diga que lá tem um comércio para comprar ingredientes ou a comida pronta (boa e em conta, inclusive). Gente engessada, eu chamo. Eu procuro ser bem diferente. Geralmente, preciso apenas do protetor solar e do batom. O restante, em todo lugar eu posso encontrar. Adoro quando eu estou disponível para embarcar num convite de última hora. 
 
Já fui a praia várias vezes com roupa de banho improvisada. Até de calcinha e sutiã. A gente mora um estado que tem cerca de 400 km de litoral e eu não resisto mesmo a uma praia. Mas, meu lema de vida não se resume as minhas aventuras. Com protetor solar e batom eu arregaço as mangas e sai para trabalhar, sem me importar para as intempéries do tempo. Não quero nem saber quanto vou ganhar, logo de cara. 
 
Vou logo perguntando pelo serviço. Dessa forma, tenho me garantido em tudo o que faço. Tendo ou não trabalho no jornalismo, eu tenho que sobreviver. E não tenho medo de enfrentar quaisquer que sejam as dificuldades. Vou mesmo a fundo. Considero todas as possibilidades para desenvolver um trabalho digno e honesto. E claro, que me renda o suficiente ou mais para pagar as contas do dia a dia. 
 
Nessa pegada, eu já fiz muita coisa legal que me faz pensar que sou um personagem. Várias vezes eu trabalhei no Café Salão, espaço da cabeleireira Nalva Melo, no bairro da Ribeira, e me senti como se eu tivesse viajando. Sabe quando uma pessoa viaja e trabalha num café? Eu, a própria Rachel (Jennifer Aniston) da série Friends. Tudo isso que estou escrevendo aqui na verdade é para incentivar que as pessoas levem a vida a sério. Viver é sério. 
 
Sendo que não precisamos deixar de viver uma perspectiva legal porque não temos uma roupa apropriada, pois há várias formas de se virar nesse sentido. Não devemos deixar de ir a um lugar legal porque não tem ninguém que vá com a gente. Vamos a sós. Cinema? Cansei de ir sozinha e nunca morri. E tantas outras situações na vida que a gente que estar pronto quando alguém nos convida. Bora? Vamos. 
 
Precisamos ter uma motivação própria para viver. E mesmo que viver não seja uma ciência exata, é preciso que a gente desenhe na nossa mente o que a gente quer viver e de que forma. Nada de ser enclausurar em prisão domiciliar, achando que tudo ao nosso redor está perdido, que tem ladrão em todo lugar, que aquele convite para visitarmos uma amiga ou amigo noutra cidade, noutro estado, é mera formalidade. 
 
Tudo o que falo parece até girar sobre o mesmo tema: sim, e gira. Sobre a pauta que rege a minha vida, o meu jeito de ser e de estar por onde eu caminho: livre, leve e solta. Tenho economizado em cremes antirrugas, em transporte (pois sou leve a ponto de usar o que tiver disponível e muitas vezes vou a pé), em hospedagem, e em muitas outras coisas. Porém, não tenho economizado em vivências. Estou sempre pronta para ir à luta. 
 
E essa luta a que me refiro é viver. Gosto de ser intensa, numas coisas, e leve noutras. E sempre tenho que deixar fluir. Como as areias que esvaem pelos dedos. Nunca estanque. Experimente ver a vida assim também e se deixe levar. Crie sua própria receita e recrie sua forma de encarar a vida.