Cefas Carvalho

09/12/2020
 
Não ajuda e ainda atrapalha (ou a Revolta da Vacina versão 2020)
 
 
Muita gente boa já disse aqui na internet que se depender do Governo Bolsonaro, ninguém será vacinado. Primeiro porque o desgoverno não tem logística para comprar seringas e utensílios para uma mega campanha (e nem o quer fazer e nem gastar dinheiro). Segundo porque Bolsonaro faz necropolítica, ou seja, quer que todos - leia-se os mais pobres - morram mesmo. 
 
Portanto, sabemos todos que caberá aos governadores se revoltarem com esta situação e agirem. Como Dória vem fazendo em São Paulo. Por mais defeitos que tenha (e os tem de ruma, como se diz no Nordeste) é quem vem tratando com mais assertividade e sensatez a questão da vacina, tanto que os governadores - a potiguar Fátima Bezerra inclusa -  cansaram de depender de uma criatura como o (sic) ministro Pazuello e tratam diretamente com Dória e Instituto Butantã. Parece uma versão 2020 ao contrário da Revolta da Vacina, aquele motim popular ocorrido em novembro de 1904 no Rio de Janeiro, então capital da República, quando parte da população recusava a vacinação efetivada por Oswaldo Cruz. 
 
No fundo sabemos que os anti vacinas de hoje são bolsonaristas que querem manter a narrativa. Quando a vacina estiver disponível serão os primeiros a toma-la e não hesitarão em furar a fila para tal.
 
Mas falemos do despresidente. Bolsonaro não ajuda em nada no combate ao Covid-19 e nem para a futura vacinação em massa de um país de 200 milhões de viventes. Na verdade, ainda atrapalha. Trata a saúde da população e a possível morte de milhares de pessoas como um jogo político para 2022, obsessão dele. Um tiro que pode sair pela culatra, evidentemente. Negacionismo só funciona até quando a pessoa não é atingida diretamente, a partir daí a terra plana começa a rodar. 
 
Sabemos também que Bolsonaro já colocou a Anvisa para tentar adiar ou brecar as vacinas, através da demora em dar autorizações. Tanto que Flávio Dino, do Maranhão, já vai ao STF pelo direito de ter as vacinas sem precisar da Anvisa.
 
Sabemos também que o Governo não tem um plano de vacinação, nem sequer encomendou à indústria, seringas e equipamentos de armazenamento. Isso tudo ficará a cargo dos governadores, claro. O protagonismo, portanto, também poderá ficar a cargo dos governadores, como Dória anteviu e começa a fazer. Terrível que cálculos políticos sejam feitos em plena pandemia, mas, com o despresidente que temos, é o que nos resta. Esperemos, pois a vacina.