Emanuela Sousa

13/12/2020
 
Estamos Cansados
 
 
Com sinceridade, olhando para si mesmo, me diga como se sente.
 
Imagino que neste momento esteja um pouco confuso e extremamente cansado. Cansado não só fisicamente mas mentalmente também. Eu sei, mas se isso te consola, não se preocupe: todos nós estamos, nem que seja um pouco, exaustos por aqui.
 
Indo para a reta final de 2020 levamos junto o esgotamento moral e físico, o  stress causado, aprendizados e as incertezas que este ano deixou. Ninguém escapou das turbulências, das perdas precoces em meio a uma pandemia, da cólera que o atual (des)governo causou, das instabilidades... Admita, de alguma forma você foi atingido por algum desses adjetivos em 2020, um ano que questionou a sanidade mental de muita gente.
 
Esta última semana senti que como se um trator tivesse passado sobre mim. Não queria sair da cama, preferi abrir um livro em qualquer página que me distraisse, e tirasse o foco da exaustação. Meu celular tocou por cerca de três vezes seguida, não quis atender, mas tamanha foi a insistência que atendi. Era o meu chefe, alertando que estava com suspeita de covid... Suspendendo o serviço temporariamente. Desligo o telefone, ainda desnorteada. 
 
Nada de novo sob o sol. E como se não bastasse as instabilidades, restrições sofridas, esta foi só mais uma "para fechar o ano".
 
Vendo isto, dá vontade de sair por aí, pegar um carro e seguir sem rumo... Me dá vontade de me jogar nos braços de alguém, abandonando a zona de conforto e tudo o que segurei até aqui.
 
Mas não abandonei o caderno de anotações, nem os livros. Nos próximos dias agora que irei ficar em casa, irei me segurar nos livros, aos escritos,  playlist que fiz, na ligação com meu pai e a tudo que me faz respirar... Sim, a arte salva, ou pelo menos deixa a vida mais suportável. Tenho lido as crônicas de Martha Medeiros e me aventurado nelas, somente ela tem me tirado a tensão dos últimos dias... Esquecendo até que daqui a alguns dias estaremos entrando para as comemorações...
 
Mas onde está o clima de final de ano? Cadê a magia do Natal, em meio a tanta tragédia que chega a doer na alma? 
 
Eu procuro, mas não sei onde está.
 
Há uma luz dentro de nós que quer aparecer, quer brilhar, mas estamos tão cansados que parece que ela apagou. A luz da esperança que sinaliza que iremos passar por esses tempos sombrios parece estar do outro lado da correnteza, mas é preciso de fôlego e ânimo para alcança-la. Estamos todos remando em direção à ela.
 
Enquanto a vacina não vem e o novo ano não dá as caras, vamos nos segurando um pouquinho alí e aqui. Precisamos nos agarrar ao que nos faz bem, para suportar todo esse cansaço mental que nos rodeia. 
 
Em quem você se segura quando o mundo está caindo ? O que te conforta nesses momentos? 
 
Para liberar o estresse e a tensão que 2020 nos deixa, recomendo a arte e o amor. Agarra-se e sobreviva. 
 
Isso vai passar.