Bia Crispim

08/01/2021
 
Janeiro lilás
 
Para quem não sabe, o dia 29 de janeiro é comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Trans. E devido a esta data, este mês ganhou uma cor no calendário das pautas importantes a ser discutidas pela sociedade, o lilás. Assim como acontece com o Setembro Amarelo, Outubro Rosa, Novembro Negro, entre outros, estamos vivendo o JANEIRO LILÁS.
 
A data de 29 de janeiro passou a celebrar a Visibilidade Trans desde 2004, quando ativistas Trans e travestis participaram, no Congresso Nacional, do lançamento da primeira campanha contra a transfobia no país. A campanha intitulada “Travesti e Respeito”, lançada pelo Ministério da Saúde, teve como objetivo ressaltar a importância da diversidade e respeito para o Movimento Trans, representado por pessoas transvetigêneres (travestis, transexuais, não-bináries, entre outres).
 
 A necessidade dessa celebração é uma das maneiras de tornar a população Trans e suas pautas, enquanto cidadãos e cidadãs, visíveis à sociedade brasileira. E também uma forma dessa comunidade construir e reivindicar direitos básicos que ainda não são assistidos a ela. 
 
Alvos do tratamento institucionalizado pela sociedade, a comunidade Trans sofre diariamente com a violência e o descaso do poder público no que se refere aos direitos civis, como a mudança de nome, e a inclusão e assistência na saúde pública e no mercado laboral.
 
 A campanha do Janeiro Lilás possibilita discussões, debates e construção de conhecimentos acerca das pessoas Trans, promovendo um conhecimento partilhado com a sociedade, diminuindo a ignorância e alguns preconceitos nascidos dela.
 
De alguma forma essa visibilidade pode garantir a interação de diversas instituições que possam, unidas, discutir ações de promoção de direitos, proteção, segurança e dignidade para a população Trans.
 
O Brasil continua sendo o país mais transfóbico do mundo, segundo pesquisa da ONG Internacional Transgender Europe, que nos aponta como tal pelo 12º ano seguido. A transfobia, que para muitos se resume às violências físicas “pode gerar sofrimento psíquico e colaborar para o desenvolvimento de transtornos mentais graves”, aponta a conselheira Darlane Andrade, coordenadora da Comissão de Direitos Humanos do CRP-03. A psicóloga afirma que este preconceito também pode se tornar um impeditivo para o acesso a serviços de saúde, assistência social e trabalho por conta do convívio em uma sociedade discriminatória. “As/os profissionais de saúde devem buscar conhecer mais sobre as vivências das pessoas Trans e suas demandas, assim como buscar documentos que legislam sobre a assistência para esta parcela da população e melhor atendê-la”, pontuou a conselheira.
 
Dessa forma, ter um mês em que as vivências e realidades dessa população sejam contempladas em um calendário de pautas importantes para a sociedade brasileira, é não só necessário como vital para muitas de nós, pessoas Trans.