Emanuela Sousa

28/02/2021
 
"Desligue o celular e vá dormir" 
 
 
Este título, que por sua vez, é o trecho de uma prosa no meu último livro Coração a bordo, fala dos dilemas internos enfrentados por um rapaz que, ansiosamente fica na espera de uma ligação de sua então, ex- namorada. Por curiosidade essa frase ressurgiu em minha mente esta semana.
 
Lembrei de como as mãos ficam ansiosas, fuçamos as redes sociais em busca de respostas, verificamos de novo as fotos, que guardamos na galeria (e não queremos de jeito nenhum apagar) e ficamos por mais uma vez na espera que alguém ligue ou dê algum sinal que ele (a) ainda está ali. E aí vem a ansiedade... a inquietude... E por último a frustração. 
 
Neste caso, a melhor opção é desligar o telefone, abaixar a expectativa e talvez fazer algo mais produtivo. Como ler um livro, assistir um filme, atualizar a série que você não terminou... Fazer qualquer coisa (eu disse qualquer coisa) que lhe deixe longe do celular. 
 
Todas as vezes que me livrei dele por algumas horas e me levantei para fazer algo, percebi uma sensação única, misturada de paz com um alívio... 
 
Na quarta passada experimentei essa sensação novamente. Desliguei- o, e em seguida guardei no bolso. Sentei de frente para um amigo que já não via por algumas semanas,  pedimos o tradicional cappucino e nos sentamos em uma mesinha que ficava ao fundo, isolada das demais. Passaram-se quase duas horas entre a conversa e o café,  as risadas e as confidências. Nenhum dos dois se lembrou de pegar o celular e tirar uma foto para registrar o momento ou verificar se alguém havia mandado mensagem... Pode parecer algo improvável, mas aconteceu.  No último instante, quando a chuva persistia em lavar a cidade e precisavámos ir embora, sacamos o celular do bolso e registramos aquele momento, só para não deixar em branco.
 
Agora, te pergunto, quantas vezes você desligou seu celular e ficou ligado ao que estava ao seu redor? 
 
Imagino que muitos fizeram isto  pouquíssimas vezes, uma vez que estamos cada vez mais dependentes de nossos aparelhos e da tecnologia em si. Fico impressionada como a internet rouba nossa atenção (e nossa energia) nos faz perder alguns micro detalhes do que acontece a nossa volta. Esses pequenos detalhes podem ser extraordinários,
 
inclusive. Assim como você já deve ter reparado em locais públicos, a cena de uma pessoa estar falando enquanto a outra atentamente olha para o celular... essa cena acontece no cotidiano com bastante frequência, e a sensação que causa é que a pessoa parece estar falando sozinha... (no mínimo é constrangedor).
 
Enfim! Em caso de ansiedade, ou qualquer tipo de sensação desconfortável, lembre-se deste título: desligue o celular! Nem que seja por uma hora, e veja a diferença no seu dia. Se for se encontrar com alguém, deixe o celular desligado e note como será interessante conversar olho no olho sem precisar ficar de olho em suas notificações. Certeza que a companhia que está ao seu lado é muito mais interessante que o whatsapp. 
 
Sentir-se deprimido,  em tempos de pandemia é quase que normal... Todos nós ficamos. O que faço nesse momento? Eu leio. Se você não tem o hábito da leitura, pratique! Em segundo caso, faça uma caminhada de meia hora, além de se exercitar, a caminhada também diminui a ansiedade e o estresse. 
 
Para qualquer caso vejo que não olhar o celular ainda é o melhor remédio para nossas ansiedades e paranóias...
É preciso, também, resgatar esses pequenos momentos para ter a brecha de olhar o mundo com os olhos de antes, quando não existia internet. Enxergar de dentro para fora e ver um universo de novidades e experiências.  E isso a gente não vê nas redes sociais, a gente vê ao vivo. 
 
Desligue o celular e vai viver.