Ana Paula Campos

15/03/2021
 
É chegada a hora de parar?
 
 
Quem me acompanha sabe que sou ligada no 220w e até tenho o apelido lisonjeiro de “guerreira”, mas, recentemente, mesmo com todos os cuidados, fui pega pela Covid-19. O vírus me encontrou com a imunidade baixa, o que agravou as coisas. Cansada, desabei. 
 
Com imensa angústia precisei desmarcar sete eventos apenas para o mês de março. Meu coração se dividia entre o medo dos sintomas e a tristeza em não cumprir a agenda. Passado o período de angústia de não saber se precisaria ficar internada, comecei a refletir nos conselhos de amigas mais próximas: “você precisa se cuidar mais. Diminuir o ritmo”.
 
Desde que me descobri negra venho em uma busca frenética por leituras e cursos, além de participar de todo evento que sou convidada. Acho que, no fundo, eu sentia como se tivesse uma dívida a ser paga pelo meu tempo de inércia. Mas, há males que vêm para o bem. Essa pausa forçada veio para me sinalizar que preciso correr menos. Preciso de tempo para filhos, companheiro, trabalho e para meus cuidados pessoais. A militância seguiu essas semanas sem mim.
 
A filósofa que é minha referência de vida e de luta, Aza Njeri, costuma dizer que estar vivo é o maior ato de afronta contra o Ocidente. Pois bem, por esta semana eu estou enfrentando esta luta. 
 
Aproveito e peço a vocês: lutem para ficar vivos. O resto pode esperar, nossa saúde, não.