Emanuela Sousa

28/03/2021
 
Não me acordem agora! Preciso sonhar
 
 
Mais um dia, mais uma quarentena. Meu corpo estendido sobre a cama, fazendo forças para levantar, tampouco me lembrava como foi o ano passado. 
 
Não queria sair da cama, desejava dormir o dia todo. Checar as redes sociais me causa a sensação de desespero às vezes. As notícias são sempre dramáticas, o número de mortos aumenta, tudo pesa, cansa, perco as esperanças. Precisava fazer algo que me tirasse as atenções do Covid, algo que me livrasse da melancolia. 
 
Comecei limpando a prateleira de livros, descobri que tenho ainda muitos livros para ler e outros precisarei doar.
 
Me inscrevi para participar de um curso de escrita criativa, assisti às aulas, anotei as dicas num caderninho velho.
 
Meu vizinho voltou a ouvir MPB, senti saudades de ouvir também. Baixei novas músicas. 
 
Na quinta, amanheci deprimida. Desci as escadas do prédio, fui à pracinha próximo de casa, andei em círculos, talvez respirar o ar puro me aliviasse um pouco, me fazendo lembrar que ainda estou viva. Eu estava sozinha, mas de fato eu não temo a solidão. 
 
Temo o vazio, o tédio, as incertezas... Temo a realidade atual, nua e crua. Por isso não assisto mais aos noticiários. 
 
Será que ainda irão me privar de sonhar? Meus sonhos estão me esperando...  E o meu futuro? E o futuro dos milhares de jovens?  Está à beira do precipício? 
 
A angústia é crescente e coletiva. 
Estamos todos melindrosos, ansiosos, parece que estamos caminhando diretamente para o olho do furacão. 
 
Me agarro à única âncora que se chama Arte. Alivia as dores, diminui as angústias e me faz esquecer por um momento a realidade. Me agarro aos sonhos, ao livro que futuramente quero publicar, na possibilidade única que me faz existir. 
 
Agarrem-se aos sonhos de vocês, faz bem à saúde mental ignorar a realidade por alguns instantes. 
 
Tristes são os que não sonham...