Cefas Carvalho

31/03/2021
 
A pessoa errada, no lugar errado, na hora errada
 
 
Quando Jair Bolsonaro foi eleito em 2018 (beneficiado por um golpe parlamentar-midiático-judicial que prendeu o líder nas pesquisas, é necessário que se diga) esperava-se que seu governo fosse tosco, conservador, ansioso por tirar direitos e confrontar pautas progressistas.
 
O que não se esperava é que fosse tão inepto e despreparado, que sua chamada "ala ideológica" fosse tão aloprada e nem que sua "ala técnica" (leia-se Paulo Guedes) fosse também tão ineficiente em resolver o problema maior do país até então, a Economia em queda.
 
Mas o que realmente não esperávamos é que após a eleição de um verme teríamos de enfrentar um vírus. Ninguém poderia prever o Covid-19 e a consequente pandemia que paralisou o Mundo e afetou tudo, da Economia Mundial às relações humanas.
 
Não esperamos o Covid, que chegou como uma surpresa letal. Também pegos de surpresa foram os líderes mundiais, cada qual com seus problemas paroquianos, mas que, de repente, deixaram tudo mais de lado para se dedicar ao combate ao coronavírus e para minimizar os problemas.
 
Foi assim com Merkel na Alemanha, com Macron na França, com Fernandez na Argentina. Na Nova Zelândia, Jacina Arden impôs ações rápidas e rigorosas que limitaram o contágio e possibilitaram um retorno a, digamos, vida normal, de maneira que Arden é considerado o melhor desempenho de um líder perante a Covid.
 
Do outro lado temos um desastre como o estadunidense Donald Trump, a principio negacionista e que predicou remédios ineficazes e até detergente, de maneira que em seu governo na reta final, já tendo perdido a eleição para Jor Biden muito por causa de sua ação desastrada perante a pandemia, viu os EUA baterem recordes de mortos. Com Biden presidente agilizando vacinação em massa e restrições, os números de óbitos nos States cairam vertiginosamente.
 
Como vimos, temos uma Jacinda Arden e um Trump. E tantos outros como o direitista Netanyahu em Israel, que vem vacinando em massa, e o esquerdista Lopez Obrador, no México, que a principio também minimizou o vírus. Temos de tudo no Mundo.
 
E temos Jair Bolsonaro, no Brasil.
 
Bolsonaro é um caso à parte. Ele não apenas minimizou o vírus e negligenciou ações de combate à pandemia. Ele trabalhou a favor do virus. Ele sabotou como ainda sabota a vacina. Tudo isso em declarações públicas, todas devidamente gravadas. Não bastasse, Jair não trabalha e ainda tenta impedir que governadores e prefeitos trabalhem. O resultado disso, como vemos, são as quase 400 mil mortes registradas em breve e recordes diários de números de óbitos.
 
Bolsonaro é o homem errado no lugar errado e na hora errada. Qualquer hora ele seria um estorvo para a Democracia, para a civilidade. Mas, em meio a uma pandemia, ele foi e está sendo mais que um desastre, está sendo um genocida, um assassino mesmo. Muitas das quase 400 mil mortes poderiam ter sido evitadas com ações governamentais (apoio a restrição, agilidade na compra e produção de vacinas).
 
É lícito dizer que qualquer presidente, mesmo os piores que assolam nossos pesadelos (Collor, Temer, por exemplo) teriam mostrado ação efetiva durante a pandemia.
Pobre Brasil que elegeu para enfrentar uma pandemia um homem que achou que "a ditadura matou foi pouco". Alguém que zomba diariamente das mortes por Covid. 
Repito: O homem errado na hora errada.
 
E não tem hora para essa tragédia terminar. Cuidemo-nos e dos nossos.