Wellington Duarte

03/04/2021
 
Viva a Ivermectina, gritava o Coelho Branco na terra de Poti
 
 
                        “É tarde! É tarde! É tarde até que arde! Ai, ai, meu Deus! Alô, adeus! É tarde, é tarde, é tarde!”.
                                                                                                                   (Coelho Branco, Alice no País das Maravilhas)
 
Estamos salvos! Afinal estamos com a solução da nossa tragédia nas mãos, ou melhor, nas prateleiras das farmácias. Chega de pesquisas! Nosso cientista-mor, o deputado estadual Albert Dikson, um dos maiores especialistas do planeta terra em “nova cepa da COVID-19” anunciou aos quatro ventos que o tratamento precoce é fundamental para evitar a piora da saúde dos contaminado. 
 
A informação privilegiadíssima, que nem a Organização Mundial de Saúde (OMS) sabia, foi divulgada nas redes do deputado, que é oftalmologista, e espalhada como poeira ao vento. O médico OFTALMOLOGISTA que não participa de NENHUMA equipe científica que se conheça e que estuda o vírus, esteve no programa “12 em Ponto”, da FM 98, que se deu ao desplante de dar espaço ao nobre deputado que nos deu uma espetacular aula de “não ciência”
 
Dikson, deputado estadual reeleito com mais de 30 mil votos, concluiu que um arsenal de remédios é recomendado para conter as travessuras da nova cepa. Que remédios milagrosos são esses? Ivermectina, corticóide, azitromicina, enoxaparina, bromexina xarope, etc. De acordo com o deputado cientista, as pessoas que chegam com problemas no fígado nos hospitais não são vítimas do tratamento precoce e sim da danadinha da cepa nova do Sars Cov 2. Como os milhares de médicos e instituições científicas do mundo todo, não chegaram à mesma conclusão?
 
Todo médico é “observacional”, segundo Dikson e ele observa, observa, observa, observa e...pimba, descobre a “cura”, pega um pouco de teoria, coloca num liquidificador e pronto! Que não se diga que a descoberta do deputado foi fortuita. De forma alguma. De acordo com o próprio, foi baseado em “inúmeras pesquisas” científicas e, inclusive deu o endereço do site, onde estariam todas as pesquisas. Depois liguem para ele e peçam.
 
Tal descoberta, que segundo o parlamentar-cientista é “pei pou” contra o vírus tem que ser divulgado até nos organismos mundiais, que, pobres coitados, continuam tateando para descobrir como debelar o pequeno vírus que, pelas palavras de Dikson, tem inteligência e percebeu como causar mais transtornos. E no programa o deputado cientista bateu o pé e disse que a cloroquina é sim eficaz. 
 
Bem, agora sabemos que dizer que o vermífugo e a cloroquina são ineficazes e tem, inclusive, efeitos colaterais perigosos, é fake News e a “razão” está com o Exército de Brancaleone da Cloroquina-Ivermectina.
 
Seria cômico se não estivéssemos vivenciando uma tragédia de proporções bíblicas e o Coelho Branco parece, nesse momento, o ser mais equilibrado para refletir sobre o momento. Estamos na festa louca do chá e o vírus, convidado especial de quem está na cabeceira da mesa, o Mandrião, sorve o chá com a certeza que, com a sua amiga, a ignorância, entregará ao Ceifador muitas vidas.