Emanuela Sousa

11/04/2021
 
A geração "mimimi", segundo eles 
 
 
Essa semana uma frase dita por Neymar viralizou na internet logo após o discurso de Tiago Leifert sobre racismo no BBB: "Qualquer brincadeira hoje em dia é um 'chororô' danado", "muito mimimi".
 
A fala de Neymar não só minimizou a cena do racismo, como também engloba o pensamento de muitos que aplaudem seu comentário.
 
Não só ele, mas uma boa parte da população enxerga nossa geração como fraca, cheia de frescura, "mimizenta". Mas toda vez que vejo alguém dizer "mimimi", questiono que pautas seriam realmente relevantes para se discutir em sociedade. 
 
Eu gostaria de deixar claro para todxs que ainda não entenderam, que nesta geração estamos levantando uma nova bandeira, a do respeito.
 
E este respeito às diferenças começa com a exclusão de qualquer tipo de comentário que agrida a identidade moral e física de nossa minoria. 
 
As chamadas brincadeiras com a estética alheia não são mais bem-vindas, assim como as desculpas frequentes como "eu fui criado diferente", "no meu tempo não era assim" , "eu não sabia". A desculpa pela ignorância para com este assunto não é mais válida já há um tempo... 
Lembre-se que os caminhos para a informação hoje são inúmeros e acessíveis, como a internet, as séries, os filmes... A lista é infinita, basta escolher. 
 
Se para alguns o "mimimi" começa quando um homem branco, hétero é chamado a atenção após ter feito um comentário, mesmo que de forma inocente, com o cabelo Black power do participante, imagine se começarmos a relembrar os fatos históricos como a segregação racial, o nazismo e a escravidão, que são agoniantes só em ouvir falar. 
 
Talvez seja por isso que somos chamados de geração "Nutella", porque estamos tentando refrescar a memória  que, há um tempo atrás esse povo, que sofre até hoje com as consequências do racismo, merece mais respeito e empatia de todxs nós. Porém nem todxs estão preparados para encarar esse tipo de conversa. 
 
Quanto mais baixo o nível de empatia, mais probabilidade de se tornar um psicopata, mais desumano você é. A capacidade de se colocar no lugar do outro não é para qualquer um. Por isso todxs que carregam essa nova bandeira brigam por igualdade e reforçam os laços com a empatia.
 
Desde já, digo que não é mimimi intervir quando assistir a uma situação de constrangimento ou preconceito. É questão de bom senso, de ser mais humano com os outros, de olhar com mais cuidado para as chagas alheias e ver nelas a dor da exclusão e opressão.  
 
Se para você o mundo hoje é frescura, então eu não sei o que é  ser humano.