Wellington Duarte

10/04/2021
 
As Polianas e o Mandrião : Um caso de amor grotesco
 
Lembremos das polainas. Estou me referindo a uma personagem criada por Eleanor H. Porter, no livro Pollyana, escrito em 1913, que para tentar minorar o sofrimento devido a morte do pai, cria um “jogo da felicidade”, que consiste em procurar extrair algo de bom e positivo em tudo, mesmo nas coisas aparentemente mais desagradáveis. Temos muitas polianas fazendo análises econômicas, invariavelmente empregados do sistema financeiro ou de alguma dessas empresas de comunicação, e elas tem conseguido ver coisas boas na nossa catástrofe econômica.
 
Embora o próprio FMI, que colocou a projeção do crescimento do PIB braZileiro esse ano em 3,7% (3,6% em janeiro), enquanto o PIB mundial crescerá 6,7%, há quem acredite, além do delirante ministro da Economia, que estamos “indo bem” e que o governo com suas “não medidas” está, na realidade, colocando o “país nos trilhos”, o que pode revelar que essas pessoas estão fora da realidade, restando saber o motivo para tal estado mental.
 
O presidente, aquele que foi fotografado correndo atrás de uma ema com uma caixa de cloroquina em punho, que graças a velocidade da Rhea americana, escapou do tresloucado Chefe de Estado, está cada vez mais aferrado a ideia de que as pessoas têm que ir para fora dos seus lares, para “fazer a economia girar” e, aparte dos que tombarem vitimados pela praga, tudo voltará ao normal.
 
A sabotagem do presidente, com relação ao combate da pandemia, junto com o neoliberalismo feudal de Paulo Guedes, condenou milhões de brasileiros à morte, quando determinou, por ofício, o fim da pandemia, ao encerrar a ajuda emergencial em dezembro, ou seja, os bichões de reais que salvaram o país de uma queda de quase 10% do PIB foram jogados fora. O novo Auxílio Emergencial, uma esmola patética, pouco vai adiantar para livrar os pobres da fome.
 
A economia está colapsada. O número de pobres no Brasil triplicou em seis meses: foi de 9,5 milhões em agosto de 2020 para mais de 27 milhões em fevereiro de 2021, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). A mesma instituição aponta alta no IGP-M de 31,10% em 12 meses, o que representa cinco vezes mais que em março de 2020 (6,81%). O pobre e o miserável estão amaldiçoados por viverem no período mais sombrio da história desse país, em que se alinhou a política econômica do “salve-se quem puder”, implementada desde janeiro de 2019 e que antes da pandemia, em fevereiro de 2020, já apontava pelo aprofundamento da recessão e desemprego.
 
Já temos 39 milhões de brasileiros à beira da fome, mas isso parece não tocar as polianas, que insistem em que Guedes aprofunde as “reformas estruturais”, destruindo aceleradamente a única estrutura apta a enfrentar a pandemia e iniciar, quando couber, o movimento de recuperação econômica. É uma escolha que até os economistas liberais consideram aberrante.
 
O que esperar deste governo que, dadas as atuais condições políticas, se arrastará até final de 2021, já que sua premissa básica é destruir? Destruíram a já depauperada economia, que foi atingida duramente pelo bando da Lava Jato; reintroduziram a pobreza e a miséria; isolaram diplomaticamente o país, o “portador da praga”; e simplesmente sabotaram o combate à pandemia.
 
Infelizmente, para aquele que chegou a ser “classe média” e agora bate o fundo do poço, o futuro próximo não parece ser muito agradável.
 
Chamem as polianas!