Cefas Carvalho

14/04/2021
 
Cão que ladra, morde?
 
Bem, assistimos ontem a centésima, ou por aí, insunuação de golpe por parte do despresidente Jair Bolsonaro. Não surpreende mais a ninguém. Nem o desamor dele pela Democracia e a paixão por militarismo (mesmo tendo sido péssimo militar e expulso do Exército), violência, tortura e morte.
 
Mas também não é mais surpresa que quando acuado, Bolsonaro fica mais agressivo. Pode ser da personalidade psicótica dele. Pode ser talvez uma estratégia. Não importa. Uma observação fria mostra que quando ele se sente confortável ou obteve vitória política, ri, faz piada, conta história, solta ironia contra desafetos. Quando está nas cordas, fica agressivo. E volta com a possibilidade de algo como um golpe militar.
 
Um ditado popular diz que "cão que ladra, não morde". O despresidente confirma essa máxima. É agressivo, falastrão, boca suja, mas quando pressionado, recua ou se fala. esperneia contra ministros do STF, mas quando em eventos do Supremo fica ao lado deles caladinho, inclusive ouvindo ironias, como aconteceu na posse de Fux. Disse na gravação divulgada por Jorge Kajuru que queria dar porrada no sendor Randolfe, mas quando levou a cusparada de Jean Wyllis na Câmara não consta que foi atrás do desafeito para, como ele diz, "dar porrada".
 
Enfim, não nos enganemos. Bolsonaro não tem força para dar golpe nenhum. Sua força consiste em manter viva e insuflada aquela sua base de fanáticos que gravita em 15% da população e manter iludidos outros 15% que ainda insistem em apoiar seu desgoverno. Jair sabe que sem esses de 15% a 30% constantemente excitados por um golpe ou truculência qualquer, o resto de seu apoio se fragmenta.
 
Repito, assim como os cães, Bolsonaro ladra, mas não morde, pelo menos não como ele pensa e queria.
 
Por fim, peço perdão aos câes, criaturas doces e leais, melhores companheiros dos humanos, segundo o ditado, pela comparação com a criatura asquerosa que nos (des)governa.