Andrea Nogueira

17/04/2021
 
 
Eu mando. tu mandas. ela manda?
 
Manicaca, covarde, dominado, são alguns nomes utilizados numa sociedade patriarcal para definir homens que não se colocam acima das mulheres, especialmente daquelas que com eles compartilham diretamente a vida pessoal ou profissional. Assim, é reforçada a construção, velada ou explícita, de superioridade entre seres humanos.
 
Vivendo dentro de uma sociedade que através de imagens, textos, vestimentas, posições empresariais e políticas, reafirmam diariamente que existe um sexo frágil (mulher) e um sexo forte (homem), não é de se estranhar que até algumas mulheres acreditem que são inferiores. O poder de convencimento da religiosidade fincada em ideias patriarcais, da mídia que entra, sem pedir licença, no inconsciente e no ego das pessoas, e da carência de conhecimento (educação) tende por anular as possibilidades de reação às ideias que definem homens superiores às mulheres, sejam quais forem os aspectos comparativos.
 
No meio de todo esse contexto, surge o feminismo com discursos que colocam a mulher em posições sociais inimagináveis. E o mundo começa a sofrer com a ameaça da igualdade de gêneros que significa, basicamente, permitir às mulheres usufruir dos mesmos direitos que os homens já usufruíam.
 
O feminismo existe desde os primórdios até hoje. Antes inominado, mas sempre pulsante, sacrificou milhares de mulheres lembradas pela história ou esquecidas nos registros mais diversos de lutas pela igualdade.
 
Direito de fala, direito de ser, de estar, de pensar, de se expressar, de dirigir, de votar, de trabalhar, de trabalhar no que quiser, de dizer não, de dizer sim, de ser mãe ou não, de cantar, de vestir-se, de despir-se, de divorciar, de depilar-se, de não depilar-se, de sentar sozinha num bar, de caminhar sozinha pela rua. Direito, direito, direitos. Até chegarmos aqui. Mas aqui, onde? Chegamos? Acabou o caminho?
 
A estrada não é a mesma para todas as mulheres. É preciso reconhecer que a mulheres brancas não caminham na mesmíssima estrada das mulheres negras. Também encontramos muita diferença na estrada das mulheres pobres e na estrada nas financeiramente estáveis ou ricas. E quanto à estrada das mulheres trans, travestis e outras identidades de gênero, essa aqui é bem difícil.
 
Mas numa sociedade onde as mulheres também ”mandam”, todas as estradas pela igualdade serão pavimentadas. Especialmente aquelas onde os homens não trabalharam sua pavimentação. Pois a luta feminista é de todos, mas ainda são as mulheres as protagonistas.