Emanuela Sousa

25/04/2021
 
Todo copo vazio esconde uma falta. 
 
 
Com o isolamento social e a falta de rotina diária, nos jogamos no que possa nos distrair em casa. Muitos têm usado o álcool como válvula de escape, mas que pode trazer diversas consequências.
 
Já não somos quem éramos antes. Impossível não sentir falta dos barzinhos às sextas-feiras após o horário de trabalho, dos copos cheios, de trocar confidências, de falar de coisas banais... Toda essa falta só nos traz mais a sensação nostálgica e que estamos (ainda) longe do fim de uma pandemia. 
 
Segundo uma pesquisa, o aumento de consumo de álcool durante o isolamento social cresceu 93%, o número de compras online de bebidas aumentou 800%  em 2020,  
números alarmantes em comparação aos anos anteriores. A falta de uma rotina diária definida tem contribuído para o aumento do consumo de vinhos e cervejas em geral. O que antes eram apenas o happy hour agora tem virado um hábito durante a semana.
 
Toda essa intensificação só deixa explícito como a pandemia tem afetado pessoas de todo o Brasil durante seu confinamento. Mostra como elas têm se virado para achar meios,  formas de relaxar e "esquecer" os problemas. O aumento da ansiedade e o excesso de preocupações têm feito milhares de pessoas recorrerem ao álcool como um entretenimento,  em meio à tanta pressão.  
 
Solidão, irritabilidade e a sensação de que estamos apenas sobrevivendo,  relações apenas virtuais... Tudo isso tem cooperado para que se esvaziem as garrafas. Há um vazio por trás de tudo isso que o mundo está passando, como já dizem por aí  "todo excesso esconde uma falta", sabemos como ninguém o quão vulneráveis estamos e cheios de faltas, vazios...
 
É preciso um certo cuidado e moderação ao usar a bebida alcoólica como uma saída para preencher uma lacuna. Sugiro a leitura, ligações  com amigos distantes. Compreender que estamos passando por tempos difíceis, precisamos afogar nossas faltas em algo. Com moderação, é possível esquecer os problemas, e ultrapassar os tempos densos que estamos vivendo, sem exagerar.