Bia Crispim

30/04/2021
 
Vagabunda é a mãe!
 
 
Para todas as pessoas que estão chamando a classe docente de VAGABUNDA!:
 
 – VAGABUNDA É A MÃE!
 
Alguém vai me dizer: Calma! Não precisa disso! Você, uma professora! 
E aí eu te digo de que é que eu não preciso. 
O que eu não preciso é ver minha classe profissional ser atacada por um problema que ela não criou. Ser desvalorizada e achincalhada por alguém que está fazendo essa acusação protegido/a pelo seu home office.
 
O que eu não preciso é estar trabalhando dobradamente na frente de um computador, DANDO AULAS, PLANEJANDO AULAS, FAZENDO PESQUISAS PARA AULAS, PREPARANDO FORMULÁRIOS PARA AS TURMAS, ENCHENDO A MEMÓRIA DO CELULAR COM FOTOGRAFIA DE ATIVIDADES DEVOLVIDAS, ATENDENDO PAIS E ALUNOS A QUALQUER HORA DA SEMANA E DO FIM DE SEMANA... Sem falar em tantas outras novas questões que as AULAS REMOTAS nos apresentaram para que alguém (Zé ninguém que entende demais de escola e educação) venha me chamar (e aos meus e minhas colegas) de VAGABUNDOS E VAGABUNDAS.
 
Nem vou te falar das dores nas costas, dos problemas de circulação, dos olhos ressacados... enfim... nem vou falar...
 
O que eu não preciso é me expor a um vírus porque Beltrano e Ciclano julga que a escola é um lugar seguro. Seguro pra quem? Que estudo científico in loco foi esse feito que atestou a escola como um lugar seguro? Mostre-me! Quero ver! Exijo ver! Minha vida e as de demais colegas estão em jogo.
 
Não sei se vocês lembram, mas quem acompanha as publicações dessa coluna deve recordar que um dia desses estava eu comemorando o retorno às aulas presenciais, aqui, nessa coluna. É muito melhor estar no chão da escola que nas salas de aula virtuais. Claro! Não há dúvida! Eu estava feliz com o início da vacinação. E eu estava agarrada à promessa de que nós, PROFESSORES E PROFESSORAS, estariam vacinados/as antes no início de abril, antes das aulas presenciais voltarem. As novas cepas e mutações não pareciam ser tão perigosas, até porque, já tínhamos a vacina, né!?
 
Ledo engano meu. Pueril, até! Acreditar que as novas variantes não seriam mais perigosas. Acreditar que seríamos vacinados/vacinadas como prioridade.
Quando foi que educação e professores foram prioridades por aqui?!
 
Se as escolas reabrirem, estaremos lá. Porque a escola é o nosso lugar concreto de trabalho, porque é na sala de aula física, de frente com os/as estudantes que melhor desenvolvemos nossas práticas e também porque precisamos garantir nossos empregos. Mesmo sabendo que, se formos acometidos/as por essa doença e morrermos, receberemos uma placa, talvez um nome de uma biblioteca, uma coroa de flores, certamente. E no mais... Mais nada!
 
Se vivos/as professores e professoras não têm valor, quiçá morto/as. Então, enquanto estou viva e revoltada, me sinto no direito e no dever de me defender dizendo para todas as pessoas que estão chamando a classe docente de VAGABUNDA!:
 
 – VAGABUNDA É A MÃE!