Wellington Duarte

01/05/2021
 
O Primeiro de Maio mais triste da História do Brasil
 
 
Hoje o BraZil amanheceu mais triste, sombrio e melancólico. Deveríamos estar comemorando o Dia Internacional dos Trabalhadores, data nacional instituída por Arthur Bernardes em 26 de setembro de 1924, não por reconhecimento da importância dos trabalhadores brasileiros, mas pela pressão que o movimento sindical, ainda no nascedouro, fizera principalmente a partir de 1917. 
 
A data nasce, portanto, de uma tentativa de cooptação, o que acabou efetivamente acontecendo depois do Golpe de 1937 e a instalação da ditadura de Getúlio Vargas, que movido pelas contradições da própria geopolítica mundial, decidiu cooptar o movimento dos trabalhadores, desenvolvendo uma política trabalhista de fato progressista, culminando com a criação da Consolidação dos Leis do Trabalho (CLT), em 1943, que muitos ignorantes teimam em dizer que era uma cópia da Carta del Lavoro, da Itália fascista, para associá-la a uma “coisa mofada e velha”.
 
Deveríamos estar nas ruas, empunhando as bandeiras tradicionais do movimento trabalhista e sindical, pois, por exemplo, a Jornada de Trabalho, a primeira das grandes lutas operárias inglesas no século XIX, continua sendo uma das pautas mais presentes nas controvérsias entre trabalhadores e capitalistas, mas a pandemia nos impede e, no máximo, realizaremos carreatas ou manifestações em ambiente virtual, pois não interessa ao movimento dos trabalhadores, ser emissário da Morte e convidar as pessoas para se contaminarem.
 
É um dia triste, pois o país, que já vinha ladeira abaixo desde 2015, viu em poucos anos, a destruição completa da CLT; a precarização do trabalho pela viva institucional, com a terceirização irrestrita; viu o futuro ser empobrecido pelas reformas da previdência; e viu seu trabalho ser engolido pela pandemia. O processo de destruição em massa das relações de trabalho, que teve, aliás, no potiguar Rogério Marinho, um dos seus mais ardorosos articuladores, foi vendida como a “redenção do emprego” e a “modernização das relações de trabalho” e prometeu DEZ MILHÕES DE EMPREGOS, o que fez com que muitos trabalhadores abraçassem o seu algoz.
 
Hoje, quatro anos depois da tal “reforma”, o trabalhador brasileiro vive no mais terrível cenário que uma sociedade a pode proporcionar. São 14,4 milhões de trabalhadores desempregados, o que representa 14,4% do total da força de trabalho, bem distante dos 4,8% de dezembro de 2014, quando começaram a colocar os pregos no caixão no mandato de Dilma Rousseff.
 
Entre 2019 e 2020 o montante de DESEMPREGADOS cresceu nada menos que 16,9%, ou seja, mais de DOIS MILHÕES E NOVECENTOS MIL trabalhadores foram jogados no inferno social. Somando os DESEMPREGADOS e os DESALENTADOS, aqueles que desistiram de buscar emprego, que foram 6 milhões de trabalhadores (5,6% da força de trabalho), teremos o assombroso número de VINTE MILHÕES de pessoas em situação de risco social, representando a espantosa marca de 20% da força de trabalho.
 
Mas, como nesse país, o que está ruim pode piorar, ao nos debruçarmos na massa de trabalhadores SUBOCUPADOS, aqueles que poderiam estar trabalhando mais horas, mas que pela contingência, trabalham menos, chegaremos a TRINTA E DOIS MILHÕES DE TRABALHADORES (29,2% da força de trabalho).
 
Olhando os desempregados, desalentados e subempregados, veremos que o BraZil tem nada menos que CINQUENTA E SEIS MILHÕES DE TRABALHADORES em situação de penúria, o que representa 49,2% de toda a força de trabalho desse país.
 
A pandemia, de fato, trouxe um componente destrutivo para as relações de trabalho, mas não custa lembrar que esses percentuais colocados acima, já eram uma tendência em 2019 e começo de 2020, posto que a economia braZileira, pós-Golpe de 2016, tornou-se uma espécie de laboratório para experiências de como tornar os trabalhadores meros acessórios, sempre disponíveis e dispostos a não reclamar (por pavor do desemprego), a se humilhar (por pavor do desemprego) e aceitar se uma excrescência que só subsiste graças ao “patrão”, portanto, o que vale é ter um emprego e, para isso, o trabalhador precarizado, aliena sua vida e alma.
 
O 1° de Maio, data que nasceu envolta em sangue; que só foi “aceita” depois de muito sangue e luta”; e que hoje lamenta os mais de QUATROCENTOS MIL MORTOS, apresenta-se como uma data de reverência aos mortos, vítimas de um governo assassino, genocida e todos os sinônimos que o Aurélio nos proporcionar, porque talvez a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) afinal mostre a face monstruosa desse governo e inculpe os responsáveis por toda essa tragédia.
 
Hoje, para os milhões de braZileiros, que estão sob a espada de um governo que os odeia, e isso foi dito em várias ocasiões, tanto pelo próprio “duce” parlapatão, como pelo patético ministro da Economia, um beócio metido a inteligente, que vem conduzindo o país para o abismo econômico, agindo como um charlatão barato no trato da crise econômica.
 
Mas há resistentes, e estes, com muita luta e firmeza, derrotarão essa súcia nazi-fascista; contribuirão para dar apoio aos governadores e prefeitos que lutam desesperadamente pela vacinação; e serão protagonistas da redemocratização do país.