Bia Crispim

14/05/2021
 
Pessoas trans e travestis, orgulhem-se!
 
Amanhã, 15 de maio, nós, pessoas Trans e Travestis, comemoramos o dia do ORGULHO de sermos quem somos. Pensando nessa data e no que ela representa para essa comunidade e sobre o que escrever acerca desse dia, me vem à cabeça que algumas pessoas, essencialmente aquelas de pensamento conservador e discriminatório, devem se questionar: O que uma Travesti ou uma pessoa Trans tem para se orgulhar?
 
E isso me inspira a pensar em 15 respostas (em alusão à data) para essa pergunta.
 
Orgulhamo-nos:
1. pela força e resistência que temos;
2. por enfrentarmos uma sociedade patriarcal, heteronormativa e cisgênera que oprime nossas existências;
3. por lutarmos todos os dias de nossas vidas para usufruirmos de direitos que são nossos, mas que nos são negados;
4. por ocuparmos, cada vez mais, espaços que disseram que não eram para nós;
5. por estarmos produzindo ciência sobre a complexidade que é o ser humano, sobretudo no tocante as suas sexualidades;
6. por provocarmos a sociedade a ser mais respeitosa, solidária e empática;
7. por não desistirmos de quem somos, ou de quem queremos ser;
8. por quebrar paradigmas, estereótipos e reconfigurar a sociedade em vários âmbitos;
9. por mostramos que nossa humanidade não pode ser negligenciada, invisibilizada ou excluída;
10. por possibilitarmos a experiência de pensar que nossos corpos podem ser mais livres do que o sistema diz que são;
11. por darmos as mãos e formarmos uma grande família acolhedora para todas, todes e todos aqueles/as cujas famílias não os/as reconhece mais como pertencentes a uma;
12. por entendermos que nossa vulnerabilidade é a vulnerabilidade de tantos outros grupos sociais marginalizados pela sociedade e nos solidarizarmos com tais grupos;
13. por enfrentarmos o preconceito e tudo de ruim que ele atira sobre nós, diariamente;
14. por sermos atrevidas e Transgressoras;
15. E finalmente por que SOMOS.
 
E se isso não for suficiente para quem questiona, tomo de empréstimo as palavras da “grande pensadora contemporânea” Waleska Popozuda (como a chamaram em uma prova de filosofia de uma escola do DF em 2014): “Beijinho no ombro” e “Desejo a todas inimigas vida longa/ Pra que elas vejam a cada dia mais nossa vitória”