Emanuela Sousa

16/05/2021
 
Pequeno espaço Melancólico 
 
Eu não quero escrever. Não quero falar. Não quero escutar o que as pessoas dizem, nem o barulho da televisão, que ultimamente só anuncia tragédia.  Isto só contribui mais para abrir um buraco em meu peito.
 
Não aguento olhar o feed e ver a foto desses rostinhos que faleceram no massacre em Santa Catarina, não quero mais ler sobre o terror que ocorreu no Jacarezinho - RJ. Não suporto mais ver a foto de Paulo Gustavo estampadas nas capas de revistas anunciando seu luto e chorar. 
 
Tantas vidas inocentes que se foram só este mês, tantos Paulo Gustavo que foram especiais na vida de alguém e estão indo embora neste momento... 
Me sinto impotente diante de tudo, vejo o mundo desabar a minha volta e noto que não posso fazer nada para ajudar... Tudo o que tenho em mãos é minha escrita para expressar minha indignação. 
 
Que mundo me restará daqui há cinco, dez anos? Pergunto-me olhando pela janela do ônibus os enormes arranha céus do centro.  Apenas tenho medo... Medo de não sobreviver à tanto caos, medo de não alcançar a plenitude da vida no auge dos meus vinte e tanto,  porque a vida, tem sido difícil...
 
Será que estou ficando mais sensível ou o mundo que está ficando mais desumano? 
 
Neste pequeno espaço melancólico que me encontro, não me resta saída, apenas sentir e refletir...  Sentir pelos que se foram, sentir pelos que ainda estão por aqui e agonizam em saudade e sofrimento. Refletir, sobre o que resta do mundo e de nós.  
 
Recolho-me às pressas, longe da maldade do mundo, do vazio que as pessoas me oferecem. Sensível às destruições, hoje tudo no mundo me incomoda, desde a falta de compaixão da humanidade até o fingimento... Nos ensinam que temos que disfarçar,  esconder os sentimentos, mas não, eu não sei fingir o que não estou sentindo, e não permitirei que tirem isto em mim. 
 
Eis aqui, o meu grito de indignação, em forma de palavras, em meio a tanta turbulência, tantas mortes. Difícil resistir, mas é preciso. 
 
Meu silêncio também fala (respeitem-o). Ele significa luto, melancolia,  sensibilidade e indignação. 
 
Respeitem o meu silêncio, Respeitem o meu espaço. O luto é coletivo, amplo. Você não sabia? E se você não se sente envolvido neste luto, então permita-me dizer: Ou você não é humano ou não está bem informado.