Wellington Duarte

05/06/2021
 
 O dia em que nasceu o “projeto cloroquina”: O Brazil bizarro do mandrião
 
 
Sem dúvida o acocoramento do Alto Comando do Exército ao presidente da República, deixando de punir o general bufão Paulo, que pode desencadear a acanalhamento da tal “disciplina da caserna” e um estremecimento final da República, que pode desembocar no golpe de Estado, mais violento do que o que ocorreu em 2016, é de grande relevância. Provavelmente os generais que ainda têm coragem de vestir a farda e se olhar no espelho, devem estar envergonhados.
 
Mas a revelação de uma reunião, em setembro de 2020, onde ocorreu uma reunião criminosa, com pessoas de índole criminosa que, junto com o Mandrião, organizaram o “projeto cloroquina”, uma das peças mais insidiosas ações contra o combate a pandemia, feita por um governo, chama a atenção, pois nesse caso levou à óbito mais de 465 mil mortos, sequelas em outros milhares e uma desorganização social profunda.
 
Essa reunião ocorreu depois de mais de cinco meses em que o governo simplesmente ignorara os efeitos cataclísmicos da pandemia, na esfera sanitária e na economia, ou seja, estava assentada no seio da caterva no poder a ideia da sabotagem explícita ao combate ao desastre sanitário, baseada nos delírios fascistas, com fortes toques de eugenia, uma das marcas do nazismo.
 
No momento em que vi o famigerado vídeo, recorri a uma lembrança, documentada historicamente, quando em 20 de janeiro de 1942, líderes nazistas reuniram-se num palacete à beira do lago Wannsee, em Berlim, para discutir detalhes operacionais do extermínio em massa dos judeus na Europa.
 
Ver o virologista Paulo Zanotto propor, sem meias palavras, a criação de um “gabinete das sombras” para “auxiliar” o Mandrião no seu projeto genocida e mais ainda, um discurso que realmente toca no nazismo, ao dizer que a vacina não seria bem-vinda devido à “diversidade genética”. Acho que nada mais precisa ser dito sobre essa proximidade com o nazismo.
 
O deputado Osmar Terra, uma figura grotesca, teima em achar que a população é formada de imbecis e ainda afirma que o “gabinete paralelo” é uma ficção e essa fala, como todas as outras que vem da boca dos membros do governo Bolsonaro, é cheia de mentiras e desfaçatez, aliás uma característica dessa chusma.
 
Essa nova peça, de natureza macabra, não é surpreendente pelo conteúdo, pois Bolsonaro e sua caterva, em dois anos e cinco meses de governo, transformaram esse país num esgoto a céu aberto, rasgando todas as já frágeis regras sociais que davam um certo ar de “sociedade civilizada” a esse país. Os zumbis que emergiram do apocalipse bolsonarista penetraram em todos os tecidos sociais e os efeitos disso serão sentidos nas gerações futuras.
 
Esses delinquentes devem ser julgados por terem participado do primeiro assassinato em massa da história das Américas moderna. Num país minimamente civilizado, todos já estariam nas galés, cumprindo penas duras, mas para que isso venha a acontecer algum dia, será necessário refundar esse país. Depois de Bolsonaro esse país não será mais o mesmo.
 
Nos próximos dias veremos as consequências dessa revelação e dos acontecimentos relativos ao acanalhamento da disciplina militar.