Bia Crispim

11/06/2021
 
Quem é você, Patrícia?
 
 
Acredito que quem acompanha a mídia deve ter se deparado em algum momento com as polêmicas declarações de uma das filhas de Silvio Santos, que é apresentadora de alguns quadros e programas na emissora do pai.  (Afinal, em qualquer outra emissora, sua “competência” não teria permitido que isso acontecesse).
 
Pois bem, entrevistada por Rodrigo Faro, a filha de Silvio Santos disse:
 
“Eu acho que eles (os LGBTQIA+) realmente foram educados de uma outra maneira. Então, assim como LGDBTYH, não sei, querem respeito, eu acredito que eles têm que ser mais compreensivos com aqueles que hoje ainda não entendem direito e estão se abrindo pra isso.”
 
A primeira coisa que me chama atenção é ela se fazer de desentendida e desconhecedora da sigla, modificando letras de maneira proporcional, como se para sinalizar que ela não está nem aí pra essa comunidade. (Fodam-se as letrinhas e o que elas representam!)
 
Que falha para uma pessoa que trabalha em televisão, né!? (Ops, ela trabalha no SBT!)
 
A segunda é essa ridícula colocação de que temos de ser mais compreensivos. Compreensivos com quem faz pouco de nossas vivências e existências? Compreensivos com quem, usando esse tipo de discurso, nos minimiza diante da sociedade, a ponto de essa mesma sociedade se achar no direito de nos exterminar? Compreensivo, Patrícia?
 
A terceira é: sendo uma pessoa que trabalha com comunicação e informação, não seria ela quem tem a obrigação de saber das coisas, de estudar o que não entende? Por que quando eu não sei de uma coisa, mas estou me “abrindo pra isso”, sou eu quem tenho que perguntar, pesquisar, estudar e saber. 
 
Para completar ela ainda disse:
“Eu acredito que nós, mais velhos, e nós que fomos educados por pais mais conservadores, a gente está aprendendo, a gente está se abrindo, mas eu acho que é um direito também das pessoas respeitarem. Por que não concordar em discordar?” 
 
Porque, Patrícia, a questão não é se você e seus pares concordam, entendem, aceitam ou não. A questão é que esse poder de nos aceitarem, essa capacidade de nos entenderem, e se concordam ou não com a maneira que nos construímos no mundo NÃO pertence a nenhum de vocês. Vocês não têm poder sobre isso. Baixe a bola!
 
A única coisa que você e seus pares precisam praticar, fazer cotidianamente é NOS RESPEITAR. Quem precisa se entender e se compreender somos nós. Eu preciso entender quem eu sou, eu preciso me compreender enquanto cidadã e vocês, simplesmente, respeitem-me.
 
Tem curiosidade? Estude, pergunte, pesquise. O conhecimento está na palma das nossas mãos.  Afinal, você é uma mulher da televisão e deveria ter, no mínimo, (o que é plausível), informação e bom conteúdo para partilhar. Agora, Patrícia, se fazer de doida e de desentendida pega mal. Pega mal pra você, para a emissora do seu pai, para seu pai, para seu marido (afinal ele é ministro das comunicações desse desgoverno – isso já pega muito mal)... Enfim, PEGA MAL!
 
E já que você toca em pessoas “mais velhas”, deixo pra você um trecho de uma velha canção de Núbia Lafayette que me veio a memória nesse instante e que me fez lembra de você: 
 
“Quem és tu?
Quem foste tu?
Não és nada...”
 
Afinal, quem é você, Patrícia, sem seus sobrenomes pomposos?