Emanuela Sousa

20/06/2021
 
É solidão ou solitude?
 
Esta semana aconteceu algo bem inusitado. Como de costume, fui a um café bem famoso próxima à Avenida Paulista, para tomar o tradicional café da manhã e escrever um pouco. Rotineiro fazer isso toda folga. De repente fui abordada por um rapaz que já me observava do outro lado por um tempo. Ele veio em minha direção, com um sorrisinho e disparou: 
 
"Oi moça, você está sozinha aí, não quer uma companhia?" E apontou para sua mesa. 
 
Eu, muito sem graça, segurando para não ser indelicada respondi que estava me sentindo bem (sozinha) mas agradeci o convite e sorri de volta. O rapaz, desconsolado deu a meia volta e saiu pela porta. Bom, acredito que sua intenção era boa, porém sua tentativa de "flertar" ou de ser gentil acabou sendo um tanto quanto inconveniente.
 
Primeiro que, não estava me sentindo solitária naquela hora, muito pelo  contrário, estava plena, em busca do silêncio e de um ambiente propício para escrever. Muitos leitores e escritores que frequentam livrarias e cafés sabem do que estou falando:  preservamos esses momentos à sós, de silêncio e de espaço para pôr nossas idéias no papel. Escrever é um ato solitário e de entrega.
 
Segundo que, é sempre bom lembrar que a solitude encontra-se nesses pequenos instantes. Ir a um café sozinha não significa necessariamente que a pessoa está solitária nem desesperada por uma companhia, às vezes ela está alí porque quer estar seja para ler, responder um e-mail ou simplesmente pensar na vida. 
 
Ir em livrarias ou almoçar sozinho num self-service não é o fim do mundo, é um presente. Assim como viajar, pegar um cinema, fazer uma caminhada num domingo de manhã, são privilégios que pessoas que se sentem bem com sua companhia sabem o quão precioso é.  
 
Desconfie das pessoas que precisam de companhia para tudo, que não sabem cultivar sua solidão e liberdade, essas raramente ficam no singular e dificilmente saberão ser par.
 
Desconfie daqueles que não apreciam o silêncio, a quietude. Estas podem roubar a solidão alheia e nem percebem. Apenas,  desconfie e se preserve. 
 
Preserve seu espaço, seu tempo, sua liberdade de estar sozinho com você mesmo. Isso não te fará ser solitário, mas sim liberto. 
 
Quando você ver alguém por aí quieto, lendo um livro ou com fone de ouvido, nos metrôs, na rua, na praça perto de casa...Recomendo: não o perturbe!  Este pode estar em solitude!