Bia Crispim

25/06/2021
 
Além do arco-íris
 
 
Vocês nunca ouviram nem viram tantas pessoas LGBTIA+ estampadas em feeds, stories, propagandas, outdoors, lives, podcasts como durante o mês de junho, não é mesmo?
 
Calma! Não é uma invasão. É só porque estamos no mês do orgulho LGBTIA+.
 
É uma pena que toda essa visibilidade, que todos esses discursos de “aceitação”, de “tolerância”, de “respeito” sejam, na maioria das vezes, midiáticos. A visibilidade é dada porque quem dá lucra dividendos. 
 
Estou generalizando, é claro! Mas é o que acontece na maioria das vezes. Além do mês de junho e antes desse, pouquíssimos ou quase nenhum espaço de fala, de visibilidade e de representação para essa comunidade é aberto.
 
É como se nós só existíssemos em junho, feito fogueira de São João.  Com direito a fogos de artifício e trio forrozeiro. Porém, apagadas as chamas, sobram as cinzas.
E é de cinzas que vivemos o restante do ano. 
 
Se não fossem as associações LGBTIA+ espalhadas por esse país e as datas que levantamos em nosso calendário de lutas, como o 29 de janeiro, dia da Visibilidade Trans, ou o 17 de maio, dia Internacional de Combate á LGBTIfobia, estaríamos fadadas ao esquecimento e à exclusão. (Já não estamos!?)
 
A verdadeira e genuína visibilidade, o real respeito dar-se-ia com nossa normatização, com nossa ocupação efetiva no mercado de trabalho, com nossa garantia de direitos, com nossa permanência nas escolas e universidades, com o fim do nosso medo de existir dentro de uma sociedade tão LGBTIA+fóbica.
 
Gostaria de finalizar essa coluna tornando público meu agradecimento ao querido Jornalista Pinto Júnior, vitimado há poucos dias pela covid, que deu-me, junto a Céfas Carvalho, meu editor, e toda a família do Potiguar Notícias, a chance de levantar minha voz a favor da comunidade LGBTIA+ e combater, através dessa coluna, toda forma de LGBTIA+fobia.
 
Seria maravilhoso que essa visibilidade, essa chance de expressar-se, de fazer conhecer, de esclarecer à sociedade nossas pautas durante todo o ano fosse tomada como exemplo por outros órgãos da impressa, da mídia, para que, através do contato com nossas realidades e vivências, reivindicações e denúncias, tivéssemos a chance de nos tornarmos partícipes dessa sociedade, como é de nosso direito, mas que, infelizmente, nos é tomado todos os dias.
 
Obrigada, Potiguar notícias, obrigada Céfas Carvalho, obrigada Pinto Júnior (IN MEMORIAM) por permitir que minha fala siga além do arco-íris do mês de junho!