Cefas Carvalho

26/08/2021
 
Lula quer fazer política; A militância de esquerda quer vingança
 
 
Chamou minha atenção texto escrito pela jornalista e escritora Mariliz Pereira Jorge que aborda várias teclas que venho batendo faz tempo. Para a colunista da Folha de S. Paulo, o ex-presidente Lula senta e conversa com várias alas políticas, mesmo quem patrocinou o impeachment de Dilma. Um movimento oposto ao de Bolsonaro, que só fala pra dentro. Verdades.
 
O texto deixa claro uma pergunta: Para além do voto, quando Lula e base falarão a mesma língua? Porque Lula parece disposto a dialogar com todas as frentes para garantir não apenas a vitória na eleição presidencial em 2022 como a governabilidade a partir de 2023. Como ele já declarou várias vezes, sem rancores e sem vinganças, mesmo com a prisão injusta.
 
Contudo, a militância esquerdista - que via de regra idolatra Lula - vai por outro caminho. Justamente o do rancor e da vingança. Para boa parte destes militantes, não basta apenas apoiar e votar em Lula, mas confrontar e apontar o dedo não apenas para Bolsonaro e quem o apoia, mas em todos que já criticaram o PT ou contribuíram para o golpe contra Dilma Rousseff.
 
Feridas são difíceis de cicatrizar e a militância que sofreu hostilidade de amigos e familiares quando do impeachment, da prisão de Lula e da eleiçao de Bolsonaro tem lá suas razões para guardar mágoas e ressentimentos e desejarem vendetta. Mas, em macro política, vingança não existe. Cada cenário político é diferente do anterior e passa-se a régua para a eleição seguinte. Não é cinismo nem "se vender", É política. Lula sabe disso. A militância de Esquerda muitas vezes, não.
 
A preço de hoje Lula dialoga com MDB dos Alves aqui no RN, com o PSDB ´moderado` de Tássio Jereissáti e FHC, com parte do Cetrão e quer dialogar até com Ciro Gomes, que acionou o modo metralhadora verbal em tempo integral e tem o petista como alvo preferencial. Mas, enquanto ciristas e petistas se alfinetam nas redes sociais, Lula sonha em dialogar com o pedetista. Repetindo: É política que chama.
 
Enfim, a militância uma hora vai perecer que Lula vai agregar em seu palanque até mesmo gente que comemorou sua prisão. Faz parte. Também faz parte a militância sair do modo romântico de ver o Mundo e a política e se deter no que realmente importa (e que Lula já entendeu): vencer Bolsonaro e o fascismo à brasileira.