Daniel Costa

06/09/2021
VIVA, BIVAR
 
Nestes dois anos de pandemia, uma galera tem puxado o carro para outros planetas. São tantas as pessoas que saltaram o muro da existência, que a gente acaba correndo o risco de não prestar continência para quem merece. Uma dessas pessoas é Antônio Bivar.
 
O cara partiu no transcorrer da atual quadra maldita e até agora quase nada se falou sobre ele. Mas Bivar merece ser reverenciado. Ele foi algo como o Andy Warhol do punk nacional. Dramaturgo premiado (escreveu Cordélia Brasil), contista, tradutor, frequentou a turma da contracultura, andou com Jorge Mautner, Caetano e Gil pelas bandas da Inglaterra, escreveu autobiografia e se enfronhou com a garotada do punk rock na época em que o movimento se afirmava lá por São Paulo.
 
Bivar visualizou a força do punk quando a rapaziada ainda esquentava a colher. A temporada que ele passou nas terras da rainha, época em que os Sex Pistols se preparavam para lançar o emblemático álbum God Save the Queen, provavelmente o ajudou a depurar o olhar sobre as boas novas que surgiam por aqui.
 
Ele lançou “O que é punk” pela editora brasilense. O primeiro livro a respeito do assunto no Brasil, que se tornou um verdadeiro clássico e contribuiu para a divulgação do movimento muito além do circuito SP-DF. Sua iniciativa de produzir o festival “O começo do fim do mundo”, também foi fundamental, já que o evento acabou por virar o mais emblemático festejo do punk tupiniquim, tendo aglutinado as principais bandas que faziam a cabeça dos moicanos dos anos 80. 
 
Antônio Bivar se foi. Mas não sem deixar marcas. A pisada do seu coturno fica na história do punk brasileiro. Daí a importância de venerá-lo nestes anos infernais, em que muitos ídolos se têm tornado lendas na velocidade de um riff.