Eliade Pimentel

20/09/2021
 
Felicidade é muito menos do que se procura
 
Sempre que arrumo minhas gavetas, o cheirinho de roupa limpa me dá uma sensação muito boa, um conforto, uma alegria que aumenta minha percepção de felicidade. A mesma sensação ocorre quando eu colho uma fruta produzida em meu quintal, ou quando caminho cerca de 800 metros e alcanço o mar. Essa sou eu, uma jornalista que não leva muito em conta a baixa remuneração da profissão pelo simples fato de enxergar a importância da mensagem que transmite por meios de seus textos.
 
Eu passaria horas discorrendo sobre pequenas coisas que fazem com que eu me considere uma pessoa feliz. Tenho problemas sim, me pego em frustrações às vezes, porém, até isso eu tenho procurado administrar. Procuro ir até onde minhas pernas alcançam (minha mãe sempre dizia isso), e me policio para não criar expectativas. Muito menos, gerar. Faz alguns anos que tenho aprendido a considerar que vivemos um dia de cada vez, e que a cada cinco dias, temos dois dias que tendem a ser mais leves. Isso me deixa feliz, apesar de eu trabalhar às vezes nos feriados ou nos finais de semana. 
 
Da mesma forma que eu sempre me preocupo quando constato que nem todo mundo ao meu redor enxerga que a felicidade está contida nas coisas do dia a dia, conforme versou Carlos Drummond de Andrade sobre a poesia, eu fico muito contente ao conhecer pessoas simples no seu jeito de ser e de viver, ou também quando tenho a oportunidade de testemunhar outras se transformando, livrando-se de todo peso extra que elas porventura ainda carreguem. Dica da sua amiga aqui: experimente se olhar no espelho e sorrir para si mesmo/a. 
 
Escrevi uma frase bem aleatória esses dias, no meu quadro de avisos. “Amor a mim mesma é fundamental. O sol se põe ou se pôs”. E fiquei a pensar, tentando encontrar sentido nestas palavras. Nessa mesma semana, comecei um exercício de abrir espaço em meu pequeno chalé. E tenho visto coisas quebradas, inúteis, ou com funcionalidade comprometida, atrás de estantes, ou largadas em nichos esquecidos. Ao mesmo tempo em que amplio meu espaço de circulação no ambiente doméstico, a minha percepção do que é realmente necessário para eu viver e ser feliz se agiganta a cada dia.
 
Por isso talvez a afirmação quanto ao sol: pouco me importa se ele já se pôs ou ainda vai se despedir na linha do horizonte, o importante é que sempre temos mais um dia para buscar novas formas de compreender as pessoas e o mundo. A autoanálise é salutar. Jamais desperdice seu tempo formulando frases como 'eu quero ser feliz'. Simplesmente, afirme para si que a felicidade está contida até nas tarefas do dia a dia. Claro, se for o trabalho de abrir um vinho, melhor ainda. Voilá.