Eliade Pimentel

28/09/2021
A maldade de gente boa
 
De repente, sou pega de surpresa por uma ligação e minha hóspede me conta algo que aconteceu na casa de Baía Formosa. Fiquei sabendo que do nada ganhei um belo de um problema, como se não fosse o bastante o tanto de coisas que eu tenho no meu dia a dia para resolver. Mas, já percebi que mesmo eu estando na minha, poderá vir uma pessoa desavisada para criar uma intercorrência no fluxo da vida. Pode apostar que nunca vai ser apenas paz neste mundão, pois sempre alguém vai preferir guerra. 
 
E a despeito das guerras que presenciamos entre os humanos, a maioria em nome de um Deus e de uma religião, ou em nome da família, concluímos de onde vez o sentido de "Deus me proteja de mim e da maldade de gente boa", da canção do nosso querido Chico César. Como os valores de hoje em dia estão invertidos, é capaz de nos surpreendermos mais com "a bondade de gente ruim", visto que a maldade de gente boa é algo um tanto quanto corriqueiro. 
 
Porém, o lamentável episódio contra mim foi praticado por uma pessoa dita de família, cristã, mãe, esposa e outros títulos que as chamadas pessoas de bem utilizam para abonar a si mesmas. Ao desabafar com uma amiga, ela falou que eu sou culpada. Sim, porque não supus que a pessoa iria ser tão má por conta de um favor que estava me fazendo. E, diga-se de passagem, um favor que não estava lhe causando nenhuma dor, era apenas um favor para alguém próxima. 
 
Não cabe relatar o que aconteceu, já estou resolvendo. O que me deixou meio de bobeira foi ganhar de presente numa segunda-feira de uma semana cheia de afazeres, uma situação crítica que poderia ter sido resolvida de outra forma. Eu havia me habilitado a resolver pessoalmente, porém, enquanto eu aguardava a pessoa marcar, ela achou mais fácil demonstrar seu lado maléfico, debochado (sim, quando falei ao telefone, cobrando motivo para tanta maldade, a pessoa riu com sarcasmo), cortando "o mal pela raiz". 
 
Prejudicou-me, sim, porém, ela apenas revelou sua terrível face. Enquanto isso, concluí que até a maldade de gente boa serve para alguma coisa. Neste caso, serviu para me mostrar que nada na vida pode ser considerado sem solução, pois já estou resolvendo. A maldade dela fez enaltecer a minha bondade e resplandecer a minha luz própria. 
 
Depois do episódio, tantas coisas já me aconteceram, tantos elogios eu recebi, até novos clientes e novas amizades surgiram nestes últimos dias. "Bom mesmo é ter sexto sentido. Sair distraído, espalhar bem-querer". Obrigada, Chico, pelas verdades simples da prece que você nos ensinou.