Evandro Borges

08/10/2021
 
Entrevista com Gilmar Bristot: Um alerta para o meio rural 
 
A situação das precipitações pluviométricas no semiárido sempre foi problemática, principalmente para água do consumo humano e para as criações. As vezes falta ou então as chuvas não ocorrem com boa distribuição. Historicamente muitos recursos foram disponibilizados para o enfrentamento deste desafio, alguns bem empregados com construção de barragens e açudes, e em outras muitas oportunidades desviados.
 
Nos últimos anos de seca até as águas da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves na Região do Vale do Açú foi necessário fazer racionamento da água e a utilização exclusiva para o consumo humano em detrimento da agricultura, como também se deu na Bacia do Piancó/Piranhas/Açú, sendo acompanhado com muita atenção pelo Comitê da Bacia.
Ocorre que a falta de boa distribuição das chuvas no Rio Grande do Norte em parte do Estado, notadamente em parte do Sertão Central do Cabugi, no Potengi, Agreste e Trairi a seca está instalada, já começando faltar o volumoso e forragem para alimentação do gado bovino e demais criação, colocando em risco o rebanho, gerando reivindicações em toda parte.
 
Esta situação nos levou na primeira edição do jornal do Potiguar Noticias da terça-feira última, dia 05/10/21  entrevistar Gilmar Bristot, gaúcho de origem, mais desde 1995 residindo no Rio Grande do Norte, meteorologista conceituado,  chefe da Unidade Instrumental de Meteorologia da EMPARN,  que foi muito claro e transparente, quando colocou que este ano não haverá mais chuvas que modifique o quadro atual.
 
Por outro lado, Gilmar Bristot que participa em diversos fóruns sobre meteorologia e nas pesquisas que estão sendo realizadas por diversos órgãos, disse que tudo indica que o próximo ano será de inverno regular, pelas indicações das águas do pacífico e do atlântico  que influenciam nas precipitações pluviométricas no Estado e no Nordeste. O quadro vai ficar mais definido no mês vindouro de novembro.
 
A situação da área rural precisa de amparo do Poder Público. O Exercito paralisou o transporte d’água pelos caminhões pipa conforme informações de alguns Secretários Municipais da Agricultura por falta de recursos, cabendo a bancada federal urgência na mobilização para sensibilizar o Ministério da Economia para evitar um mal maior.
A principal fonte d’água da Lagoa do Bonfim para adutora Monsenhor Expedito está baixando o nível e para não faltar  água a CAERN está reduzindo as quotas para cada Município, portanto o alerta é geral e serão três meses difíceis até a chegada das chuvas do próximo inverno, cabendo aos agentes políticos, como lideranças do segmento da agricultura e produtores uma forte mobilização.
 
Água para o consumo humano significa dignidade e água e forragem para o gado e criações corresponde à manutenção no mínimo de estabilidade na economia já em crise. É necessária a ampla mobilização com ações concretas, desde crédito facilitado, assistência técnica, reconhecimento legal do estado de emergência com pagamento de seguro dentre outras ações possíveis.