Cláudia Fragoso

10/10/2021
 
Mudar de trabalho em plena pandemia!
 
 
Olha só, não sei se aconteceu com você, mas ocorreu com nada menos do que 25 milhões de pessoas nos Estados Unidos. Essa foi a quantidade de pessoas que abandonaram seus empregos em 2021.  É a chamada “grande renúncia”. Após um período de alta taxa de desemprego (chegando a 14,7%), o país vê 15% de sua força de trabalho nessa situação. Várias podem ser as razões para isso, mas eis aqui alguns dos possíveis motivos:
 
Muitos desses funcionários já queriam deixar seus empregos e por causa do período mais crítico e incerto da pandemia, se viram forçados a continuar onde estavam;
Esgotamento no trabalho, seja por causa das transformações com as mudanças na rotina da família, seja pela pressão por resultados ter aumentado;
Percepção de insatisfação no trabalho – devido à reflexões realizadas nesse último ano, pode ter ficado mais evidente alguns desgastes e contrariedades.
 
Levante a mão quem não parou para pensar mais na vida, no trabalho, na família, no sentido de tudo isso durante da pandemia? 
 
Muita coisa veio à tona, não é mesmo? E isso pode ter sido revelador e transformador para você. Falando especificamente de trabalho, emprego e carreira, tenho a sensação de que essas reflexões podem ter feito muita gente enxergar aquilo que empurrava para debaixo do tapete: o fato do trabalho que realiza simplesmente não fazer sentido!
 
Já passei por essa experiência e não foi na pandemia, mas nem por isso foi menos importante. Há aproximadamente 11 anos fui chamada para um concurso público! “Que alegria”, você pode pensar! E foi mesmo! Fiquei extremamente feliz quando fui convocada, afinal, isso significou que tinha conseguido sucesso na prova, alcançado uma nota boa e além do mais, “nunca mais teria que me preocupar com salário”. Esse é o pensamento da maioria. É “a glória”. O que mais eu poderia querer da vida? Nada, né?
 
Acontece que não foi bem assim para mim. Logo na primeira semana que entrei, fui para uma área que já tinha experiência e não gostava nadinha. Procurei uma transferência e consegui com um tempo razoável. Feliz e animada no meu local de trabalho, logo descobri alguns detalhes que me fizeram começar a pensar que talvez ser concursada não fosse aquela “coca-cola toda”. Darei alguns exemplos: uma das primeiras coisas que me pediram foi para assinar um documento dizendo que eu fui supervisora de estágio de uma menina! (Demorei para acreditar que estavam me pedindo isso na primeira semana, quando tinha acabado de conhecer a tal estagiária!). Aquilo foi um choque para mim. Ao falar que não iria assinar, foi dito que eu “não tinha perfil para trabalhar ali”. Outra situação: no meio de um caos por falha do sistema, saí da minha sala e fui tentar resolver um problemão – precisava selecionar mais de 100 pessoas numa manhã e sem sistema teria que fazer manualmente. Dei um jeito nisso e enquanto estava realizando dinâmicas e entrevistas, saiu na “rádio peão” que o “setor de psicologia” daquela unidade não estava funcionando! 
Como assim falaram isso no dia em que mais trabalhei? 
 
Com o tempo fui percebendo que o funcionamento daquela instituição era assim: se você ousasse dar sua opinião, fazer com que as coisas saíssem melhor, de forma mais eficiente, isso era super mal visto! Daí por diante a coisa só piorou e para encurtar a história em 2018 eu tomei a decisão mais difícil da minha vida: pedi exoneração para ser feliz!
 
Não sei qual é a sua realidade hoje, no momento em que as coisas começam a melhorar nesse cenário pandêmico. .. não sei quantas reflexões você fez sobre a sua carreira ou o seu negócio, mas o fato é que hoje muitas empresas estão de olhos bem abertos nos seus valores, naquilo que ninguém pode tirar de você! Vejo muitas vagas de emprego, em especial no Linkedin, falando em um “match” com o fit cultural da empresa. As coisas de fato estão mudando no mercado de trabalho e compreender essas mudanças pode fazer muita diferença na sua carreira!
 
Então, nesse sentido, vale muito a pena pensar sobre o seu projeto de vida, no que faz seus olhos brilharem e naquilo que lhe desafia, seja em um emprego formal, seja na vida de empreendedor ou até como concursado! O que importa mesmo é que um dia você olhe para trás e diga: TENHO ORGULHO DA MINHA TRAJETÓRIA E FUI MUITO FELIZ EM CADA PASSO QUE DEI!