Fabio de Oliveira

18/10/2021
 
Até onde vai sua militância?
 
Levantar bandeiras, organizar manifestações públicas e virtuais, buscar recursos para custear despesas, fazer reuniões, mobilizar as lutas nas ruas e tantas outras articulações, que demandam um esforço gigantesco para tudo isso acontecer, não é fácil. Mas será que o ato de militar por determinada causa para por aqui? E no cotidiano?
 
Para uma movimentação social ser estabelecida e segura de suas reivindicações, é fundamental que os coletivos estejam cientes de como e onde estão situados dentro da narrativa colonial na sociedade. Percebemos que, majoritariamente, não há estudos por parte dos militantes acerca das causas que defendem. No primeiro momento em que é sugerido o aprofundamento nos estudos, as pessoas que fazem parte dessa maioria se constrangem, tem seu ego avariado e, a partir disto, vêm as colocações e problemáticas pessoais. 
 
Reproduzir falas oriundas de um senso comum e da massa não é o suficiente para minimamente tensionar as intervenções provocadas pelo atual sistema político-econômico em vigor. Não chegamos a lugar algum assim, e a opressão continua atingindo a todes nós. Na medida em que esse cenário permanece, não é difícil tecer comparações com as manobras de massa da atual gestão presidencial. Enquanto não saímos desse ciclo, nosso povo ainda está na ponta levando bordoadas de todas as direções diariamente.
Há uma zona de conforto da maioria das militâncias que, além de ser alimentada pela falta de estudos, traz a covardia de se indispor com as situações diárias vivenciadas por muitos, porque a militância ficou apenas no protesto. Nossas subjetividades são sutilmente violentadas com brincadeiras e comentários sobre nossos corpos e lugares periféricos. Essas condutas silenciosas e imparciais não te isentarão da culpa de naturalizar as opressões que nos subalternizam e nos matam.
 
Se sua militância se limita a levantar bandeiras nas ruas ou ficar em grupos fechados de discussões, em bolhas isoladas, informo que você está fazendo isso errado. Lutar por causas só ganha significado quando essas opressões são combatidas diariamente em casa, na escola, na universidade, na rua, no ônibus, no mercado –independentemente de onde e quando você estiver.
 
Quando falo da importância de estudar o que se reclama, não é no intuito de dar carteiradas intelectuais e sim de saber o que está fazendo para não sermos mais uma marionete do sistema. Quando falo em se indispor, refiro-me a interver imediatamente no momento em comentários, brincadeiras e falácias são verbalizados por pessoas que se acham proprietárias de razões, baseadas no senso comum.
 
Precisamos repensar nossas formas de militância, independentemente de qual causa seja, já que o ato em si, é em prol de um bem coletivo.