Wellington Duarte

13/11/2021
 
Debandada no INEP e a tragédia da Educação no país do Mandrião
 
 
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) é uma autarquia federal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), foi criado em 13 de janeiro de 1937, durante o governo, naquela época democrático, de Getúlio Vargas, com o nome de Instituto Nacional de Pedagogia, e assumiu o atual nome em 1972, durante a ditadura militar e quase desapareceu, pois os generais não gostavam muito de pesquisas pedagógicas.
 
Seu objetivo é promover estudos, pesquisas e avaliações periódicas sobre o sistema educacional brasileiro, com o objetivo de subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas para a área educacional, o que talvez explique o que vem acontecendo nessa autarquia, subordinada ao Ministério da Educação (MEC). Se em 1972 o INEP quase desaparece por desinteresse em tratar do tema, agora é motivado pelos delírios de um governo que odeia a Educação e ama a doutrinação.
 
Já o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), foi criado em 1998, sob o governo FHC, e inicialmente foi criado basicamente para avaliar anualmente o aprendizado dos alunos do ensino médio em todo o país para auxiliar o ministério na elaboração de políticas pontuais e estruturais de melhoria do ensino brasileiro através dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Ensino Médio e Fundamental, promovendo alterações nos mesmos conforme indicasse o cruzamento de dados e pesquisas nos resultados do Enem. 
 
Já em 1999 muitas instituições de ensino superior passaram a utilizar o ENEM como modalidade de acesso alternativa ao vestibular e essa primeira fase durou até 2004, quando passou a servir de ingresso em cursos superiores no caso de candidatos que, com a nota do exame, se inscrevessem para conseguir bolsa de estudo em faculdades particulares pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni).
 
Em 2009, durante a gestão de Fernando Haddad, foi introduzido o modelo de prova, com a proposta de unificar o concurso vestibular e em 2010 o governo criou uma plataforma chamado Sistema de Seleção Unificada (SISU), utilizada pelos estudantes que realizaram o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para se inscreverem nas instituições de ensino superior que aderiram totalmente ou parcialmente, com uma certa porcentagem de suas vagas, à nota do Enem como forma de ingresso, em substituição ao vestibular.
 
Todo esse preâmbulo é para ressaltar a importância desse Instituto no quadro da educação brasileira e o que aconteceu essa semana, com a debandada, e esse é o termo, de 37 funcionários com denúncias de assédio moral, desmonte de diretorias, acúmulo de trabalho e pressão. Entre eles estão Eduardo Carvalho Sousa, coordenador-geral de Exames para Certificação, e Hélio Júnio Rocha Morais, coordenador-geral de Logística da Aplicação.
 
Essa catástrofe, anunciada é verdade, é um desaguadouro natural, se é que se pode chamar assim, da política de destruição em massa do país, iniciada quando o Mandrião colocou a faixa presidêncial e entregou a pasta da Educação a pessoas com a missão de “purificar” essa área, moldando-a de acordo com a ideologia fascista. Abraham Weintraub foi o um dos que mereceu, por parte do presidente, a confiança para “depurar” o MEC e todos os seus órgãos e chegou-se a criar uma sombria comissão para revisar as questões do ENEM, retirando todas que tivessem “viés ideológico” e no ENEM 2020, as perguntas que se referiam à Ditadura, desapareceram.
 
Para se ter a dimensão do alcance da debandada no INEP, basta dizer que se criou um vácuo de poder justamente na área mais operacional do instituto. Abaixo do presidente, há seis diretores, cada qual com vários servidores em cargos comissionados (coordenadores, chefes de divisão, etc). Estes últimos comandam o chão de fábrica do Inep: fecham contratos, organizam a elaboração de provas, coordenam a logística e toda a burocracia. Os diretores, que subitamente perderam vários de seus coordenadores, ficaram de mãos atadas. Os servidores, ao perder seus chefes diretos, ficaram à deriva. Só isso.
 
Em fevereiro desse ano, o pastor Milton Ribeiro, um sujeito inexpressivo, mas fiel ao presidente, assumiu o MEC e deu a ordem: fazer um ENEM fiel às diretrizes do presidente. O INEP passou, em uma canetada, de instituição de Estado para plataforma de ação governamental e Danilo Dupas, vice-reitor da Universidade Mackenzie, para implementar a “pureza ideológica” nas provas do ENEM.
 
É muito clara a intenção desse governo em rebaixar a questão da Educação em algo formatado aos delírios fascistas dessa horda delinquente que está no poder. Essa “formatação” se reflete, por exemplo, no número de estudantes que se inscreveram no ENEM 2021, pouco mais de 3 milhões, em comparação aos 8,7 milhões de 2014, uma queda de 65%.
 
Sob o controle dos reacionários MEC e INEP degradaram o INEP. Esculhambaram deliberadamente e, há poucos dias da realização do Exame, que começa em 21 de novembro, o senhor Dupas diz que está tudo bem e tranquilo, mesmo sem sequer ter havido a distribuição das provas, que deveria, segundo especialistas, ter sido feita em outubro.
O fundo do poço desse país continua sendo escavado, pois esse governo de destruição, a cada dia se anima a empurrar o país para o caos.