Eliade Pimentel

22/11/2021
 
Sinapse Darwin: o espetáculo que já nasceu gigante!
 
 
A teoria da evolução, do genial cientista Charles Darwin, foi o ponto de partida que o ator, diretor e dramaturgo César Ferrário encontrou para criar o recém-nascido espetáculo Sinapse Darwin, que estreou neste último final de semana no espaço Tecesol, anexo ao Centro Municipal de Educação Infantil Libânia Medeiros, no bairro de Neópolis. 
 
Sinapse é uma bem bolada junção de pessoas físicas e jurídicas do teatro, da música e da cenografia do Rio Grande do Norte, sob a batuta da Casa de Zoé, da maravilhosa atriz Titina Medeiros. Ela e a Bobox Produções, do igualmente talentoso Arlindo Bezerra, enquadraram o projeto em leis e editais culturais, viabilizando o espetáculo que resultou numa concepção imagética tão extraordinária que até agora fervilha em meu juízo. 
 
Em cena, atores e atrizes experimentados, como é o caso de Múcia Teixeira, Nara Kelly e Caio Padilha, do Grupo Estação de Teatro, além da própria Titina e uma turma mais recente, muito boa por sinal, que essa jornalista "das antigas" não memorizou ainda, mas com certeza irá ainda ouvir falar  bastante (é que estou vislumbrando os prêmios que esse espetáculo ainda vai receber). 
 
Em meio a um cenário instigante e figurinos e adereços simples e criativos, tendo como pano de fundo a incrível música ao vivo, que me fez lembrar de A Maldição de Blackwell, consagrado espetáculo do diretor Marcos Bulhões, encenado no teatro Sandoval Wanderley (ora desativado), que tinha a música do Modus Vivendi, liderada por Carito Cavalcanti, que virou cineasta e estava lá no Tecesol registrando tudo. Atenção, esse parágrafo foi escrito com a intenção de mostrar o quanto somos o objeto da teoria da evolução, o meio é que nos molda e tudo se transforma ao longo do tempo! 
 
E por falar em cenários e figurinos, Sinapse leva a assinatura  do mago João Marcelino, que abriu lá nos anos 90 a porta do teatro para a dupla de atrizes - e primas -  acarienses Titina e Nara. Que alegria encontrá-lo ao final e poder transmitir meu abraço a toda a equipe. Eu lhe falei que estar sentada naquela plateia mexeu com minha memória afetiva de repórter e editora cultural, lá atrás, n'O Jornal de Hoje, quando eu era a única pessoa em jornal a escrever também o depois, e não apenas o antes, para divulgar um espetáculo, tal qual estou fazendo agora. Dentre os tais, lembro como se fosse hoje de Brincadeira de Bolso, encenado na Aliança Francesa. 
 
A César Ferrário, meu colega lá no segundo grau, no colégio Objetivo, a Titina que virou minha irmã, a Nara, a Mumu, e todas as outras estrelas de Sinapse, vocês estão demais. Ninguém mais segura essa trupe. Nem mesmo a pandemia, pois estávamos na plateia seguindo todos os protocolos de segurança. Ah, e minha última impressão. Por se tratar de um tema universal, cheguei a pensar que não veria/ouviria referências do nosso regionalismo. 
 
Ledo engano. Acho que ouvi um forrozinho ajudando a dar vida à teoria da evolução humana, na visão musical e cenográfica do criador do espetáculo. E para quem não conseguiu convites, a dica é aguardar os dias 17, 18 e 19/12 e correr para a Praça dos Gringos, em Ponta Negra. Avoé!