Daniel Costa

05/12/2021
 
VOTE EM MORO E ERRE PELA TERCEIRA VEZ
 
Depois de Aécio Neves com seu questionamento sobre o resultado das eleições de 2014, e de Bolsonaro e a política do terraplanismo, a elite brasileira ensaia agora depositar suas fichas em Sérgio Moro. 
Não é difícil perceber o que as escolhas anteriores representaram para o país. Como também é possível imaginar o que uma vitória do ex-juiz, no próximo pleito eleitoral, poderá significar em um Brasil mergulhado no caldo do desemprego, da inflação e da miséria. 
 
Sérgio Moro passou a vida inteira dentro de um gabinete, proferindo sentenças e dando ordens. Jamais atuou na política. Nunca administrou coisa nenhuma (provavelmente nem as contas da sua casa), antes de ocupar por 16 meses o Ministério da Justiça. A sua experiência na gestão da coisa pública, portanto, é um grande nada. Aliás, ganha uma viagem para Maringá quem conseguir apontar uma única realização dele como ministro da Justiça e Segurança Pública. 
 
O ex-magistrado já deixou explícito o vazio que são suas concepções sobre os problemas do Brasil, ao dizer em entrevista à CNN que a erradicação da pobreza acontecerá quando o país “identificar suas causas”; e que o nosso problema econômico se resume à inflação, que “está sendo provocada pela perda da credibilidade fiscal do governo”. 
 
Moro se lança como político na base do “seja lá o que Deus quiser”. Um ato de vaidade que significa, na realidade, sua falta de preocupação com os milhares de miseráveis que batem ponto nos sinais de trânsito do Oiapoque ao Chuí. 
 
 De concreto mesmo, o que se sabe a seu respeito é de que se trata de alguém versado no métier de rasgar o texto constitucional. A quebra telefônica ilegal e a divulgação das conversas de uma presidenta da república são, nesse sentido, palpitantes e demonstram bem o que ele poderá ser capaz de fazer se um dia detiver nas mãos o cajado do poder central. Também não deixa de ser um forte indício do seu caráter, o fato de ter guardado a toga para assumir o posto de Ministro da Justiça, depois de haver influenciado diretamente no resultado das eleições de 2018. 
 
A verdade sem roupa, é que a elite brasileira parece querer acostar-se a um novo salvador da pátria: o sujeito de paletó e gravata que discursa platitudes e que enfia o país cada vez mais fundo no buraco do atraso.