Cláudia Fragoso

10/01/2022

 

A inestimada convidada!

Desde que nos “entendemos por gente”, sabemos que todos iremos morrer, mas vivemos como se esse dia nunca fosse chegar, optamos por não pensar nele. Nem na nossa morte, nem dos nossos. Sinceramente, acho que assim fazemos para conseguirmos ter alegria na vida, penso que é necessário um certo distanciamento, afinal, não aguentaríamos ficar o tempo todo pensando e lembrando que um dia não estaremos mais nesse mundo! Mas, quando finalmente (e inesperadamente) chega ao fim da vida aqui na Terra alguém da nossa convivência? A realidade bate à porta sem ser convidada!

Nessas horas, parece que sentimos um soco no estômago, a respiração muda e o silêncio se instala como que um grito no deserto. Tristeza, dor, desespero, angústia, frustração; vários são os sentimentos que inundam o nosso ser. Pensamos muito no ente querido, nos momentos vividos, no que foi dito e no que poderia ter sido dito, no que foi falado e no que foi calado. As lembranças tomam conta da nossa mente. 

Existe, porém, uma outra sensação pouco comentada nesses momentos. A morte do outro nos mata também. Mata aquilo que persiste em acreditar que vai durar para sempre, mata a vontade de deixar para amanhã (pois nunca sabemos se haverá!), mata um pouco de cada um que convivia com aquele. Sim, morremos um pouco também! Mas isso, não necessariamente, é de todo ruim, existe uma parte que A-C-O-R-D-A! Acordar significa “dar cor à vida” ou “colocar o coração em tudo que se faz”. Claro que isso não quer dizer que não se possa sentir saudades ou ficar triste com a partida de alguém querido, mas a morte dele pode lhe fazer ACORDAR para o que verdadeiramente importa!

Muitas vezes vivemos sem pensar sobre como estamos vivendo, sem parar para refletir se o modo como encaramos a vida reflete nossos valores, crenças ou aquilo que tem mais valor para nós. E se não fazemos isso corremos o sério risco de deixarmos de estar presente com quem mais amamos, de trabalhar com o que gosta, de ter momentos ricos de lazer, de sentir a presença de Deus, etc (Ou de outras coisas completamente diferentes, a depender dos seus valores).

O que a morte do outro pode nos ensinar? 

Muitas coisas, mas acredito que a principal é como viver melhor, como amar mais e permitir que todas as pessoas importantes na sua vida sintam e percebem o quanto são amadas, afinal, a única coisa verdadeiramente importante que alguém pode deixar de herança são os momentos em que amou e expressou o amor!

Tem alguém que você ama que está doente? Expresse seu amor por ela! Tem alguém que você ama que está totalmente saudável? Expresse seu amor por ela! Tem alguém que você odeia? Passe a ter atitudes de amor por ela!