Bia Crispim

14/01/2022

 

HOMOTRANSFOBIA: POR QUÊ?

Ano passado eu escrevi nessa coluna um manifesto contra Patrícia Abravanel pelo seu discurso no mínimo preconceituoso disparado em um programa da grade da emissora de seu pai: o SBT. 

Pois bem, para a surpresa de muitas pessoas, inclusive para a comunidade LGBTQIAPN+ (sigla a qual Patrícia demonstrou desprezar), ela e alguns outros/as apresentadores apareceram em uma campanha contra a homotransfobia.

Merece aplausos? Em partes, porque tal campanha não estaria no ar se não fosse uma obrigatoriedade judicial. De acordo com o site https://www.metropoles.com: “A iniciativa é excelente, mas de acordo com a Marina Ganzarolli, fundadora do movimento #MeTooBrasil, é resultado de um acordo judicial contra a filha de Silvio Santos. O SBT nega. Segundo publicação de Marina no Instagram, a determinação ocorreu após falas preconceituosas de Patrícia contra a comunidade LGBTQIA+, durante o programa Vem Pra Cá”

Para quem não recorda do episódio, o site refresca nossa memória: “Na ocasião, Patrícia se referiu a sigla como “LGDBTYH” e defendeu a intolerância contra essa população. “Assim como querem o respeito, acredito que eles têm que ser mais compreensivos com aqueles que hoje ainda não entendem direito, ou estão se abrindo para isso”, disse a apresentadora, na época.”

Há, no entanto, duas coisas que  não merecem aplausos: o SBT negar que seja uma campanha punitiva contra os atos de Patrícia e o próprio fato de só existir por ser uma ordem judicial.

As perguntas que não querem calar são: Por que tanta homotransfobia escancarada? Por que o respeito às pessoas LGBTQIAPN+ não pode ser dado de forma natural e cotidianamente? Por que alguém que tem voz e espaço na TV prega esse tipo de discurso que só destila ódio e aversão às pessoas dessa comunidade?

A justiça não deveria ser acionada. O sinal vermelho que deveria ser ligado era o da consciência dessas pessoas. Essas perguntas não deveriam estar sendo feitas por mim, mas por aqueles/as que propagam e assim mantêm vivos esses discursos de ódio, de desamor, de desumanização e de extermínio dessa comunidade. 

A campanha estará no ar durante todo o mês de janeiro de 2022, e contará com a participação da Patrícia Abravanel (obrigatória), Eliana, Celso Portiolli, Chris Flores, dentre outros).

#homofóbicosnãopassarão

#lesbofóbicosnãopassarão

#transfóbicosnãopassarão