Emanuela Sousa

13/03/2022
A vez dos insights 
 
 
Não foi fácil digerir... 
 
Engolir o choro, trabalhar oito horas por dia, almoçar em meia hora, estudar e fingir que estava bem...
 
"Está viva, tá vendo? De quebra já deveria ser um motivo para agradecer." Me disseram. Mas quem disse que estar vivo hoje em dia é o bastante? 
 
Na quarta-feira, sessão de terapia. Falo algumas coisas e parece que estou me querendo me livrar de um peso. Mastigo.. e mastigo meia dúzia de palavras que a psicóloga fala e segundos depois desabo em lágrimas. 
 
Vou ao banheiro, molho o rosto, enxugo-o e volto para a sessão. Milhares de insights começaram a surgir... E cadê a moça forte nessa hora? Que engole o choro, que intimida e consegue suportar as quedas da vida? 
 
Não sei para onde ela foi, talvez esteja dentro de mim, só sei que eu precisava desse momento. Me debruçar sobre a cama e chorar até soluçar e reconhecer quem sou. Em algumas das minhas falas eu soltei "estou me sentindo uma merda". O choro voltou para a garganta e voltou. Minutos de silêncio... Contemplação.
 
Ainda nesta mesma noite, um outro insight me ocorreu enquanto eu retirava o caderninho da mochila: Eu não pertenço a geração Z, estou longe de pertence-la. 
nem escrevo para a geração Tik Tok, onde o humor toma conta. Pouquíssimos deles me entenderiam, se me lessem. 
 
Me dei conta que todos esses escritos são  para a geração dos jovens adultos entre 30 a 40 anos. Só eles me entenderiam. 
Muitos desses também estão fazendo terapia, estão se esforçando para lutar contra seus demônios, curar gatilhos e apagar seus traumas.  Eu estou escrevendo para os que tem o coração inquieto, para os que sonham e se frustam, para os que assim como eu tem uma sensibilidade exacerbada e buscam a cura. 
 
Uma vez que como escritora e artista, eu espero que essa geração não se sinta sozinha diante dos fatos ocorridos do dia. 
Eu estou aqui, para representa-los.