Emanuela Sousa

20/03/2022
 
Imortal 
Quantas vezes desejamos que algo, mesmo que secretamente,  torne-se imortal? 
 
Esta manhã acordei nostálgica. Virei a folhinha do calendário e senti um certo desconforto, o tempo está passando depressa. E nunca desejei tanto que aquele tempo parasse.. Por um momento. 
 
O entardecer dessa cidade hoje é caótico e sombrio. Não quero mais admira-lo sumindo entre os prédios e arranhas- céus todo dia às seis. Ele só me traz a memória que até um tempo atrás estava tudo bem...
Hoje já não tenho mais aquela eternizado em minhas mãos como imaginava. 
 
Tudo saiu do eixo de repente. O afeto foi passageiro, 
As estruturas desabaram. 
E para onde foi o desejo de transformar o real em imortal, viril e imbatível? 
 
Este desejo nunca existiu. (Não para você).
 
A imortalidade não mora em lares vulneráveis,  não quebra, não rompe com rapidez. 
Imortalidade não desiste, não assim tão facilmente. 
As paredes que protegem o imortal não esmorece.
 
Creio que durante todo esse tempo me enganei sobre a eternidade que construimos. Ela só existiu nos meus desejos profundos. 
 Eu desejava a durabilidade.
Desejaram o fugaz, 
E por fim, conseguiram. 
 
Não foi o bastante?
Amanhã talvez me contará quando o gosto do instantâneo não estiver mais em seus lábios.