Emanuela Sousa

01/05/2022

 

Intelecto ou empatia?

 

Amanheci em cólera. Não sabia exatamente porquê, apenas sentia a vontade de gritar, protestar, proclamar o meu descontamento.

"O mundo não me agrada", sábias palavras de Clarice.

 

Recebi nos comentários do Facebook, após responder uma seguidora que, de forma pejorativa dizia que não estava "entendendo nada" sobre o termo Queer, da sigla LGBTQIA+

 

Tentei explicar em poucas palavras, de forma superficial, mas a devolutiva foi decepcionante. E tom de ironia, a senhora me respondeu a seguinte afirmação: "fique com o seu intelecto, e eu com a minha ignorância. Melhor do que acreditar nas porcarias que o povo inventa."

 

Aquilo me tomou peso. Reli por algumas vezes o comentário. Observe que ela diz "intelecto", depois "ignorância", "porcaria". Fiquei tentando entender sua linha de raciocínio para atiçar uma resposta que fosse à altura de sua ignorância, como a mesma colocou. E pensando bem, achei melhor não respondê-la mais.

 

Antes de mais nada fique bem claro que não há problemas se caso você não entenda o que significa isso ou aquilo. Até por que assuntos como gênero e  sexualidade são complexos em todas as formas. O entendimento, de forma geral, requer um tempo para digerir.

 

Por isso é tão importante perguntar, questionar, buscar informações.

Perguntar com sutileza, nunca foi um crime.

 

O que mais me chamou a atenção é que em suas palavras esta mulher "assume" sua ignorância diante do assunto, o que já é um ponto positivo nessa história, porém se recusa, em meio à sua arrogância, o entendimento do novo. Prefere ficar estacionada em sua "caverna" de achismos, ignorância e tradicionalismo, às cegas do mundo moderno.

 

É confortável viver em nossos mundinhos, compreendo. Quando não precisamos nos movimentar para ler, assistir, programar e ocupar nossas mentes com novidades, que talvez, não sejam úteis para nós. E tudo que é cômodo nos traz prazer e conforto.

 

Se por um lado nós convém ficar estacionados em nossos mundos e debaixo de nossos lençóis de arrogância, por outro é extremamente desagravel para algumas pessoas lerem que uma sigla mundialmente é taxada como "porcaria", "mimimi", "coisas que o povo inventa."

 

Onde está a tão famosa empatia que tanto se propaga?

Seria intelectualidade mútua da nossa parte aprender a respeitar as diferenças?

 

Contando também que é extremamente constrangedor para mim ver pessoas adultas no século XXI  engatinhando sobre assuntos que se recusam a conhecer e, no mínimo, respeitar.

 

Se para as pessoas mais velhas é sinal de intelectualidade ler e aprender sobre as novas bandeiras do respeito, para nós, têm algo muito maior por trás disso: valor de empatia e solidariedade com o próximo.

 

Quem sai ganhando nessa história mesmo?