Cláudia Fragoso

09/05/2022

 

A VIDA PEDE MAIS PRATICIDADE!

 

Tudo hoje em dia pode ser prático, você já percebeu? A comida tem que sair rapidamente, se for fazer uma solicitação, seja ela presencial ou online, deve ser atendida com a maior praticidade possível. Qualquer que seja o serviço ou produto que comprar, quanto mais prático for o processo, melhor. Ligação? E quem liga hoje em dia? Em geral, ninguém liga nem recebe mais ligações e quando revolvemos atender, é um spam, muitas vezes. Até aí, tudo bem, afinal, a vida exige que tudo aconteça numa velocidade maior e o público está cada vez mais exigente, ainda que esse público seja a nossa família e a solicitação seja uma mensagem no whats ao invés de uma frase dita pessoalmente, quando se está no mesmo ambiente que a pessoa. Será que uma vida cada vez mais prática é a melhor coisa do mundo?

Estive refletindo muito esses dias sobre essa palavra: PRÁTICO. Talvez porque tenha ouvido bastante “Sou muito prática” ou “Fazer de tal forma é muito mais prático”. Essa palavra está muito relacionada à “ação” ou à “execução”. E é exatamente isso que o mundo nos pede: mais ação. O engraçado é que isso vai sendo incorporado de forma tão forte em cada um de nós que não nos damos conta de que agimos assim – sendo cada vez mais práticos – sem que, haja uma necessidade real para tal. E isso faz com que essas nossas ações sejam automáticas ou vazias, sem significado.

A prática pela prática é assim: sem sentido! Essa foi a resposta que obtive me questionando o motivo pelo qual estava agindo assim, muitas vezes. Por que acelerar tanto o carro? Para que comer tão rápido? Aliás, por que tudo precisa ser numa velocidade máxima? Parece que pegamos uma aversão tão grande à lentidão que julgamos tudo e qualquer coisa que esteja em outro ritmo (diferente do nosso) como ineficiente, incapaz, ruim, meloso, grudento, cheio de “mi-mi-mi” ou chato. A verdade, por mais dura que possa ser, é que, várias vezes, essas pessoas, julgadas como “mimizentas” são as mais sábias e as mais felizes. São elas que conseguem sentir mais a presença do outro, a natureza, estar entregue às relações e a sentir mais a presença de Deus na vida delas.

Interessante é que um dia desses ouvi a expressão “fulano é muito emocionado” de uma forma tão pejorativa que me dei conta do quanto somos podados na expressão de nossos sentimentos. Quanto menos demonstrar, melhor. Quanto menos o outro souber que ele faz falta, que temos carinho, amizade por ele, melhor. E assim vamos vivendo de forma prática e insensível. Afinal, mostrar o que sente é para os fracos! Enquanto tivermos esses pensamentos e vivermos acreditando em tudo isso, teremos uma vida, de fato, FRACA, repleta da FALTA de alegria, amor, trocas genuínas, de solidariedade e empatia. Ser vulnerável é ser FORTE, é estar na “arena da vida”, com a difícil e mágica arte de viver intensamente. Que possamos viver de forma um pouco menos prática e mais autêntica, que tal?