Hugo Manso

16/11/2023 10h54

47ª REDITEC – Reunião Anual

DIRIGENTES DAS INSTITUIÇÕES DE

EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLOGICA

https://youtu.be/NI_CRh5RdD4

Realizada em Natal, na semana passada, a REDITEC, mais que um evento institucional de rotina, foi um acontecimento histórico para a educação profissional e tecnológica.

Desde a ambientação do Centro de Convenções, o nome das salas (Gargalheiras, Baia Formosa, Rio Catu...), passando pelas apresentações culturais, pela feira da economia solidaria organizada pelo iFSol, pelos estandes e principalmente pelas mesas de debates com respectivos temas e motivações.

Um dos principais destaques foram apresentações populares num evento coberto pelo glamour, pelos banners de cada palco, pelos robôs e pela inteligência artificial. Foram as pessoas que se destacaram. Excelente debate de gênero, com presença de mulheres trans e reitoras. A Oficina “Reafirmando compromissos para o pleno desenvolvimento de meninas, mulheres e pessoas que menstruam”, coordenada por Monalisa Porto (iFRN - Currais Novos), fez um recorte de gênero, destacando que o ambiente educacional como reflexo da sociedade.

“Nós, enquanto servidores, precisamos pensar nas pessoas. E precisamos ter empatia para isso. Precisamos olhar o outro como se fosse para nós mesmos.” Prof. José Arnóbio, Reitor do iFRN.

Mais uma vez nossa escola brilha nacionalmente. Pela acolhida, pela simpatia da cidade e das pessoas. Sobretudo pela qualidade organizacional e pela competência institucional. Verdadeiro show. Destaques entre os temas abordados à tecnologia da informação, à inteligência artificial e a relação com o futuro de nossa juventude, foco na formação acadêmica do nosso estudante.

Essa é a tônica, desde há muito. Inicialmente com os aprendizes e artífices, hoje com técnicos, profissionais de nível superior, mestres e doutores. Vejam como está registrado no projeto político pedagógico da então Escola Técnica Federal do Rio Grande do Norte, em 1995: “O modelo curricular da ETFRN propõe cursos técnicos com cargas horárias longas, com o propósito de promover a formação humana integral, mediante a união da teoria e a prática, rompendo com a dualidade estrutural da educação brasileira.”

Portanto o êxito e o brilho da 47ª Reditec não é apenas mais um registro. É parte integrante de um processo exitoso de organização institucional. Uma instituição centenária que ocupa seu espaço local e representa, como poucas, o estado do Rio Grande do Norte no plano nacional. Essa edição da Reditec em Natal, nos fez lembrar os grandes momentos históricos da instituição.

Vivemos a saída da “periferia para o centro urbano” quando chegamos, com brilho, na avenida Rio Branco posicionando a escola com merecido destaque na cidade do Natal. A inauguração triunfante da nova sede na avenida Salgado Filho na década de 1960 com os belíssimos painéis nas rampas de acesso às sala de aula, saudando a juventude, os livros, o esporte e a cultura científica.

“Mural expressionista (misto de óleo e cera) de Newton Navarro (1928 – 1992). Pintado em 1967 para a inauguração deste prédio. Simboliza a juventude e a fonte inesgotável do saber. Restaurando em março de 2011 pelo artista plástico Dorian Gray Caldas.”

É fato que a reunião dos dirigentes não tem o mesmo brilho e energia dos eventos estudantis. Como referência, os Jogos Estudantis Brasileiros do Ensino Médio - JEBEM de 1972, um dos momentos mais brilhantes do esporte amador no estado.

Mas a Reditec é fundamental. E é muito mais. Inclusive é orçamento, é investimento. Demonstra a força da Rede Federal de EPT. A estrutura para o evento, no Centro de Convenções da via costeira, mais de 1.400 pessoas de fora de Natal, todas com deslocamento e diárias. Além das outras despesas, custeadas pelos orçamentos do Conif, (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica formado por 41 instituições), pelo MEC e pelas Reitorias e Direções de Campi.

Essa força aqui demonstrada pode, deve e precisa ter repercussões nas salas de aulas, nos laboratórios e na vida acadêmica dos nossos estudantes.

Necessário aqui citar o diretor do CNPQ, engenheiro Ricardo Galvão. Iniciou sua palestra destacando a força do evento, chamando a responsabilidade cidadã aos dirigentes presentes, “nenhum cientista, nenhum acadêmico brasileiro, pode votar em políticos que sejam negacionistas[...]” e lembrou o episódio no governo passado quando renunciou à presidência do INPE. Além do CNPQ estiveram presentes no evento representantes da CAPES e o INEP dialogando com o financiamento da pós graduação no país. Mas, o forte de sua intervenção, foi no sentido de esclarecer o papel da ciência e da tecnologia. Incentivar nossa Rede Federal na preservação e defesa do meio ambiente, na formulação de novas políticas públicas, na interiorização científica e tecnológica do país. Sua identidade com nosso foco maior, a formação dos jovens estudantes, ficou clara: “a hora de colocar a semente do amor as ciências, está na adolescência”.

No encerramento debateu-se os desafios e oportunidades. Mediado pelo professor Marcelo Bregagnoli, do MEC, os debatedores abordaram os caminhos futuros da Rede Federal:

v Participação ativa do setor produtivo;

v Articulação entre instituições formadoras, setor produtivo e órgãos públicos;

v Estímulo a realização de projetos inovadores;

v Capacitação digital;

v Atuação conjunta entre a Rede Federal de Educação Profissional e Secretarias Estaduais de Educação;

v Instituições de instância tripartite (gestores da educação, instituições formadoras e setor produtivo).

Ainda no encerramento, o debatedor Sérgio Pedini, valorizando nossa história e nossos antecessores, afirmou que “não podemos esquecer de deixar como reflexão o papel dos aposentados na Rede Federal. 

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