Ao fundo do poço: ´Coringa`

12/10/2019

Por: Marco Antônio Araújo
 
Vi o filme no último dia três. Estive numa empolgação crescente a respeito de uma película tão esperada. O Coringa é o maior vilão de todos os tempos, considerado por uma grande parte dos fãs de quadrinhos, e em especial por mim.
 
Ao final do espetáculo só pude ficar em silêncio. O ritmo do filme, ditado pelo Diretor Todd Phillips, é lento, mas não te dá tempo para respirar. A obra te coloca na mesma espiral de ódio e loucura encarada pelo personagem Arthur Fleck, o homem protótipo de palhaço do crime, e que desce, junto com o espectador, ao caos máximo que é armado para a cidade de Gotham.
 
Não há praticamente uma cena onde Joaquin Phoenix não esteja presente. O que ajuda o ator a demonstrar sua monstruosa performance. Cada pequeno detalhe que é exposto no filme exalta o quanto Arthur Fleck tinha todos os ingredientes para se tornar a criatura colorida e maldosa que é o palhaço. As múltiplas risadas que são apresentadas, a dança e a música que fazem parte de Arthur Fleck, o alívio que é demonstrado ao se cometer as atrocidades. O ator chega ao ponto de transformar riso em choro, e você acredita nele.
 
Esta dualidade, riso e choro, é pintada e bordada durante todo o filme. Afinal, o vilão é uma mistura de vários sentimentos opostos, ele é o caos. Até mesmo na fotografia isto é demonstrado. Nas cenas tristes, cores frias (em especial o azul) assumem o controle, enquanto que nas cenas de êxtase, o amarelo e as cores quentes fazem o trabalho. Nas cenas violentas, o verde toma de conta, afinal o palhaço tem esta como uma das suas cores principais. E é isto: a mistura do azul e do amarelo é o verde. A depressão e o êxtase, a tristeza e a felicidade. A maquiagem do palhaço: olhos tristes e boca risonha. A cena violenta com piada ao final. Inclusive, deixe-me destacar esta cena.
 
Sem dar muitos detalhes, na cena há um assassinato, seguido por uma piada de humor negro com um anão, que não possui altura suficiente para abrir uma porta. Nesta hora, mesmo que por dentro, você ri. E sabe que é errado, um riso no meio de tanto sangue e desespero é exatamente o que acontece com o vilão-protagonista, e o diretor, através do vídeo, consegue fazer você ter o mesmo sentimento do palhaço. Você sabe que é errado, você sabe que está no contexto errado, e mesmo assim ri. Parabéns, você é o coringa!
 
 Jogando o tempo todo com seu psicológico, o filme Coringa traz uma das melhores experiências, se não a melhor, cinematográficas de 2019, é um filme recomendadíssimo. A atuação absurda de Joaquín Phoenix, um roteiro eficiente e uma trilha sonora profunda fazem desse um dos mais promissores concorrentes ao Óscar de melhor ator e melhor filme deste ano. Espero assistí-lo novamente em breve, pois não é uma película para se ver apenas uma vez.