Estudantes do IFRN são os mais premiados do Brasil em torneio na China

25/11/2019


 
“Quando a gente voltar, vai trazer uma bagagem que vai ampliar nossa forma de ver a matemática”. A frase da estudante Isabella Gomes não poderia ser mais certeira. Junto com ela, Romana Galvão, João Arthur Barros e Klaus Reineger – além do professor Dayvid Marques – trazem na bagagem duas medalhas de prata, uma de bronze e uma menção honrosa (veja quadro no final da matéria). Isso da 10° World Mathematics Team Championship (WMTC), torneio internacional para avaliação de conhecimentos matemáticos, que aconteceu, entre 21 e 25 de novembro, em Beijng, na China. Os quatro fazem cursos do Ensino Médio Integrado ao Técnico no Campus Natal-Central do IFRN.
 
Nadja Gomes, mãe de Isabella, diz-se impressionada – além de feliz – com a premiação: “algo impossível diante da quantidade de participantes e do cansaço com o qual eles fizeram essas provas. Eram a segunda menor equipe da delegação do Brasil e foram os que obtiveram melhor resultado, competindo no nível avançado. O RN arrasou muito”. Na competição, havia 1.055 “matematletas”, dos quais 164 estudantes brasileiros, de 22 escolas públicas e privadas. “Eles estavam destruídos na hora da prova. Tinham acabado de chegar de 2 dias de viagem. Enfrentaram um fuso horário de 11 horas à frente... Para as equipes chinesas era tudo normal, mas, para eles, era como competir durante toda a madrugada. Enquanto a gente aqui dormia eles fizeram provas super difíceis, com dor de cabeça, e disseram que estavam todos como se estivessem com uma virose”, complementou Nadja.
 
WMTC
 
O World Mathematics Team Championship é uma iniciativa do China International Culture Exchange Centre (CICEC), junto ao ‘The World of Mathematics and Physics Journal’ e da Hope Cup Mathematics Competition (maior competição de Matemática da China). Podem participar estudantes de qualquer ano do Ensino Fundamental e do Ensino Médio.
 
Durante a competição, os estudantes são desafiados a resolver questões matemáticas em diferentes graus de dificuldade, com provas em grupos, de revezamento e individuais em três níveis: Junior, para menores de 12 anos, Intermediário, menores de 15 anos, e Avançado (menores de 20 anos).
 
A delegação brasileira foi escolhida a partir da Olimpíada Internacional Matemática Sem Fronteiras, competição criada pelo Ministério de Educação da França em 1989. No Brasil, os dois campeonatos são organizados com exclusividade pela Rede do Programa de Olimpíadas do Conhecimento (Rede POC), instituição de intercâmbio científico juvenil, cuja missão é promover a excelência na educação através do estímulo ao interesse pela Ciência, Tecnologia e Inovação.
 
Longa jornada
 
Para participar da World Mathematics Team Championship, os estudantes enfrentaram uma verdadeira maratona antes mesmo de começarem as disputas. Fizeram arrecadação coletiva, venderam camisetas e realizaram sorteio de brindes. Além disso, pais, familiares e amigos ajudaram a cobrir os quase R$ 40 mil necessários para os custos da empreitada. O IFRN, que enfrentou cortes em seu orçamento até meados de novembro, com o retorno dos valores bloqueados, conseguiu assegurar recursos para a inscrição no evento e ajuda de custo - para gastos com alimentação, por exemplo - no trajeto entre Natal e Pequim, estimado em quatro dias de viagem (ida e volta) com conexões em São Paulo e países da Europa.
 
Agora começa a longa viagem de volta. Os estudantes e o professor Dayvid chegarão a Natal somente na madrugada da próxima quinta-feira, dia 28. O retorno, contudo, não é o fim das disputas para os “matematletas” do IFRN, pois a premiação na China os credenciou a um novo desafio em terras asiáticas: devido ao desempenho proporcional da equipe, eles já estão habilitados a participarem da Olimpíada Mundial de Matemática da Tailândia ou para a Olimpíada Mundial de Matemática do Japão, ambas em 2020.