Distanciamento social é baixo no RN, aponta estudo

03/06/2020


 
Em um momento crítico quanto aos números da contaminação pelo novo coronavírus no Rio Grande do Norte, estudo atualizado do projeto  Isola.ai revela que o distanciamento social, principal medida de contenção da pandemia recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS), permanece baixo. No domingo, 31 de maio, o RN se posicionou entre os dez estados com menor isolamento ao atingir 49%.
 
Com base nos dados da startup In Loco, o Isola.ai vem monitorando o isolamento social desde o início da pandemia e tem verificado que os municípios onde houve maior contaminação pela covid-19 tendem a respeitar mais o isolamento. No último dia de maio, Natal e Parnamirim alcançaram 52%, enquanto Mossoró chegou a 50%, no entanto, tais números estão distantes dos 70% ideais.
 
O índice de distanciamento social na capital, porém, conta com importantes variações internas. Seguindo padrão observado em outras semanas, a Zona Sul de Natal tende a apresentar maiores valores de isolamento do que regiões como a Norte e a Oeste, o que pode ser um reflexo das desigualdades socioeconômicas que dificultam a adesão ao distanciamento social, aponta o estudo.
 
Outras cidades monitoradas apresentam índices ainda menores. Em Caicó, por exemplo, mesmo com o decreto de bloqueio total de serviços não essenciais, apenas 48% da população permaneceu em casa. Já os municípios de Santa Cruz, Currais Novos e Pau dos Ferros tiveram 43% de adesão às medidas de distanciamento.
 
Também são apresentados no estudo os municípios com maior isolamento por mesorregião potiguar. No Agreste, destacou-se Sítio Novo (53%); na Central, o município de Serra Negra do Norte (60%); Espírito Santo (53%), no Leste; e Encanto (53%) no Oeste Potiguar. Por outro lado, Lagoa Salgada (35%), Caiçara do Norte (23%), Pedro Velho (40%) e Taboleiro Grande (26%), nas mesmas regiões respectivamente, obtiveram os piores indicadores.
 
Constituído por uma equipe de 13 pesquisadores da UFRN, da Universidade de Pernambuco (UPE), do Instituto Curie (França) e outras instituições do Brasil e do exterior, o projeto Isola.ai busca soluções interdisciplinares para a pandemia utilizando técnicas de Ciência dos Dados e Inteligência Artificial. As avaliações publicadas também podem ser conferidas no site do Observatório do Nordeste para Análise Sociodemográfica da Covid-19 (ONAS-Covid19).
 
Liderada pelo professor Ivanovitch Silva, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Elétrica (PPGEEC), a iniciativa conta com os docentes Rafael Gomes (PPGEEC), Leonardo Bezerra, do Programa de Pós-Graduação em Tecnologia da Informação (PPGTI), e Luciana Lima, do Programa de Pós-Graduação em Demografia (PPGDem). Também integram o grupo os egressos da UFRN Marcel Ribeiro-Dantas (Instituto Curie) e Gisliany Alves (PPGEEC).
 
Colaboram ainda pesquisadores das seguintes instituições: Universidade de Pernambuco (UPE), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Dublin City University, da Irlanda, e Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), do Amazonas.

Fonte: Marcos Neves Jr. de Agecom/UFRN