Artigo de opinião de Priscila Aliança sobre “biografização"

19/06/2020

Por: Andrezza Tavares
Foto: Priscila Tiziana Seabra Marques da Silva Aliança

   

 

Biografização: atividade alternativa para o autoconhecimento

    Todo artigo, matéria, podcast, post de Facebook ultimamente começa com "no contexto da pandemia", já reparou? E não tem jeito! A gente está vivendo uma vida que quase ninguém viveu antes – exceto os poucos sobreviventes da gripe espanhola vivos até hoje, estamos todos aprendendo a (sobre)viver nesse novo contexto. Mas não se trata simplesmente de uma realidade "muito diferente": é uma realidade triste, melancólica, reclusa. Neste cenário, quem não está com medo é porque não está entendendo muito bem os riscos a que estamos expostos. A incerteza e a instabilidade são nossas companheiras. A morte, seja pelo noticiário ou pelos telefonemas de familiares e amigos, fica cada vez mais próxima e concreta.

     Tem muita gente dando todo tipo de dica sobre como sobreviver ao isolamento sem enlouquecer. Particularmente, eu duvido de todas! [risos] Penso que é uma situação em que "dar uma surtada" de vez em quando é perfeitamente cabível. De todo modo, eu vou dar meus dois centavos de contribuição para essas orientações todas, mas eu não prometo que minha sugestão é vacina contra crises de choro e momentos de tristeza: é uma sugestão de o que fazer com uma crise de choro e momentos de tristeza – a biografização.

     "Ué, Priscila, um negócio com um nome desse deve ser muito difícil!" Nem é! A maioria de nós se biografiza de alguma forma todo dia. Sempre que você posta uma foto no Instagram, um vídeo nos "stories", um textão no Facebook ou tuíta uma coisa engraçada você está registrando (-grafia) a sua vida (bio-). Contar pro seu melhor amigo sobre alguma novidade, seja por telefone, videochamada ou chat, é um evento de biografização. São coisas que a gente faz naturalmente porque, como diz uma grande pesquisadora da narrativa de si, "narrar é humano"! Ora, qual o sentido de sugerir uma coisa que todo mundo já faz? É que narrar-se é como respirar: a gente faz automaticamente, mas tudo muda quando a gente faz prestando atenção.

    O artigo de opinião que abordou a temática “biografização: atividade alternativa para o autoconhecimento” foi desenvolvido por Priscipla Tiziana Seabra Marques da Silva Aliança, professora e pesquisadora do IFRN, Doutoranda do PPGEP/IFRN, para o portal de jornalismo Potiguar Notícias.


Nota: Este artigo de opinião publicado no Portal de Jornalismo Potiguar Notícias integra o repertório de publicações do Projeto pluri-institucional intitulado “Diálogos sobre Capital Cultural e Práxis do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) - IV EDIÇÃO”. O Projeto, vinculado à Diretoria de Extensão (DIREX) do campus IFRN Natal Central e ao Programa de Pós-Graduação Acadêmica em Educação Profissional PPGEP do IFRN, articula práxis do campo epistêmico da Educação a partir de atividades de ensino, pesquisa, extensão, inovação e internacionalização com o campo da comunicação social a partir da dinâmica de produções jornalísticas por meio de diversos canais de diálogo social como: portal de jornal eletrônico, TV web, TV aberta, rádio e redes sociais. O objetivo do referido Projeto de Extensão do IFRN é socializar ideias e práxis colaboradoras da educação de qualidade social, de desenvolvimento humano e social por meio da veiculação de notícias em dispositivos de amplo alcance e difusão de comunicação social. Para mais informações sobre o Projeto contacte a coordenadora: andrezza.tavares@ifrn.edu.br.  

 

 

Fonte: Priscila Tiziana Seabra Marques da Silva Aliança