Políticas de saúde e assistência social devem ser fortalecidas, diz CRP/RN

30/07/2020


 
R$  4,8 mil. Esse é o valor que um dia de internação custa a cada paciente com Covid-19 em hospitais dos Estados Unidos. Os dados são do governo norte-americano e trazem à tona uma realidade: quando o assunto é custo da pandemia para as populações carentes, o nosso SUS (Sistema Único de Saúde) consegue democratizar o acesso, possibilitando atendimento gratuito para quem precisa de tratamento. Mais que isso, graças ao atendimento integrado com a Assistência Social, o paciente consegue, ainda, encaminhamento para a inclusão em uma série de programas que visam resguardar direitos sociais. 
 
Reconhecido como maior Sistema de Saúde Pública do mundo pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o SUS é universal, ou seja, visa atender a todos e tem provado ser um instrumento fundamental não só para garantir o acesso da população à saúde, como também no combate à atual realidade. Nesse sentido, a atuação conjunta entre saúde e assistência social é compreendida como essencial no combate às desigualdades. 
 
Segundo o Conselho Regional de Psicologia (CRP-RN), a pandemia demostrou a importância de toda a rede que integra o Sistema Único de Saúde à exemplo das UBS, das UPAS, do SAMU e da rede de urgência e emergência. Por outro lado, também expôs todas as dificuldades enfrentadas por usuários e profissionais da linha de frente, inclusive os da psicologia que têm baixo efetivo nas unidades de saúde.
 
“Devemos ressaltar que tais profissionais, que já eram necessários antes da pandemia, após esse período, ficará mais evidente a sua necessidade, já que a demanda tem aumentado como consequência do isolamento social, sobrecarga de trabalho, o luto e tantas outras questões advindas do sofrimento psíquico”, diz Emanuelle Camelo, psicóloga conselheira do CRP e atuante na Secretária de Saúde de Natal.
 
Assistência Social
 
De acordo com Rafael Ribeiro, presidente do CRP-RN e psicólogo atuante na Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social de Natal (SEMTAS), o diferencial nessa atuação é atender a população que vive em condições de pobreza. Assim, o fortalecimento do SUS e do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) são essenciais para combater as desigualdades no país antes e depois da pandemia.
 
“As políticas de assistência social e de saúde devem ser fortalecidas para além da pandemia, para que essa população continue tendo a garantia de seus direitos”, diz.
Segundo Rafael durante a pandemia houve um aumento da demanda da população em situação de pobreza nos serviços da assistência social, especialmente para adesão ao cadastro único e ao programa bolsa família, como também pelo acesso à moradia em abrigos por pessoas em situação de rua.
 
“A Psicologia atua como integrante de uma equipe interdisciplinar e contribui tanto na garantia ao acesso aos programas de renda como na compreensão da percepção das violações de direitos. O olhar é muito importante”, conta.
 
Como procurar a assistência social
 
Pessoas que se encontram em situações de vulnerabilidade e de risco podem procurar por telefone os serviços de assistência social nas Secretarias do Município e do Estado (SEMTAS ou SETHAS) ou diretamente nos Centros de Referência em Assistência Social como o CRAS (Centro de Referência em Assistência Social e o CREAS (Centro de Referência Especializado em Assistência Social).
 
De acordo com o Censo SUAS de 2019 do Ministério da Cidadania, o Brasil possui 8.357 Centros de Referência em Assistência Social (CRAS), sendo 222 apenas no Rio Grande do Norte.
 
O CRAS é a porta de entrada ao acesso aos serviços do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), pois busca prevenir situações de risco através de programas de proteção. Nos CRAS, os cidadãos são orientados sobre os benefícios assistenciais e podem ser inscritos no Cadastro Único para programas sociais do governo federal, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).
 
Já o CREAS oferece apoio e orientação especializada a pessoas que já têm suas situações de risco comprovadas, ou seja, que são vítimas de violência física, psíquica ou sexual, negligência, abandono, ameaça, maus tratos e discriminações sociais.
 
Atuação da Psicologia
 
Para orientar a atuação de psicólogos nas políticas do SUS e do SUAS, o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop) do Conselho Federal de Psicologia atua com a produção referências técnicas. Os documentos são produzidos junto aos Conselhos Regionais e subsidiam a prestação de serviços à sociedade. Acesse aqui as referências técnicas que orientam a categoria.