Artista potiguar durante a pandemia e o isolamento: Maria Gorette

02/08/2020

Por: CEFAS CARVALHO
 
Produtora cultural das mais conhecidas no Estado, Maria Gorette é diretora da Samba - Sociedade dos Amigos do Beco da Lama e Adjacências e até pouco tempo, era presidente da Fundação de Cultura de Extremoz, tendo imensa experiência na realização de eventos culturais diversos e shows musicais. Em entrevista ao Portal PN ela falou de suas impressões sobre o cenário atual e como será a produção cultural no pós-ándemia.
 
 
Como produtora cultural, como está sendo essa fase de não poder produzir eventos externos, públicos?
 
Essa pandemia pegou todo mundo de surpresa e com os produtores culturais não foi diferente. Mas, temos a capacidade de nos reinventarmos, até mesmo de desacelerarmos um pouco. Temos agora que pensar como realizar outro tipo de trabalho envolvendo produção cultural e a divulgação do trabalho dos artistas. Ou seja, outra forma de trabalhar a cultura, que seja diferente de aglomerar pessoas. Observamos o andamento das coisas e percebemos que somente com a vacina vai ser possível aglomerar muita gente em shows musicais, por exemplo. Mas, sabemos que muitos artistas só ganham cachês justamente em shows que reúnem muita gente. Eles sobrevivem disso. 
 
 
O que a SAMBA está fazendo para apoiar os artistas e comerciantes do Beco da Lama?
 
Antes da pandemia, a SAMBA estava realizando eventos e shows e também acompanhando o processo de revitalização da parte histórica do Centro de Natal e do Beco da Lama, como por exemplo os fios elétricos da área que seriam todos embutidos pela Cosern, que, aliás, deverá começar agora esse processo. A SAMBA também organizou campanha de doação de cestas básicas para minimizar impacto da situação para os ambulantes que vendiam produtos nas festas do Beco e para os funcionários de bares e restaurantes que não têm outra fonte de renda. Em parceria com a Prefeitura de Natal entregamos por duas vezes 150 vestas básicas a estas pessoas e faremos a terceira entrega daqui a algumas semanas. Também tentamos informar aos artistas sobre as leis para minimizar a situação, como a Lei Aldir Blanc, de alcance nacional.
 
 
Em Extremoz, como está a situação dos artistas?
 
Através de contatos com amigos, da participação no Fórum Potiguar de Cultura e em lives e conferências, percebo que a situação dos artistas de Extremoz é a mesma dos artistas de Macaíba, São Gonçalo, Parnamirim, de quase todos os municípios. Complicada. Quando o gestor municipal tem alguma sensibilidade, a sitiação é minimizada até, mas de maneira geral os artistas estão sofrendo muito neste período. Como falei antes, estamos tentando orientar as pessoas que fazem cultura em Extremoz a se cadastrar na Lei Aldir Blanc.
 
 
Como acha que será a produção cultural e os shows pós-pandemia?
 
Após a vacina tudo voltará a um tipo de normalidade, mas, que não será aquele antigo normal. Mesmo com a volta de shows e eventos, as pessoas manterão certos cuidados, certo distanciamento. Para mim, que gosto de abraçar e beijar as pessoas queridas, certamente será muito estranho, portanto um normal que não será mais como antes, eu acredito. Pessoas de grupo de risco ou que morem com pessoas idosas, por exemplo, terão cuidados redrobrados em ir a eventos culturais públicos.