Educação brasileira: Existirá uma luz no fundo do poço?

26/08/2020

Por: Jerônimo Freire
 
 
No século XXI, a tecnologia na vida diária das pessoas tem provocado mudanças sociais, econômicas e comportamentais, conforme cita Manuel Castells no seu livro A Sociedade em Rede. Esta mistura entre o real e o virtual vem promovendo impactos nos processos de comunicação, escrita e ensino-aprendizagem dos indivíduos desde o início dos anos 2000. Algumas nações fizeram seus deveres de casa, e tem uma educação de qualidade, que possa amenizar os problemas decorrentes da Pandemia, com uso de estratégias que utilizam as TICs, e mesmo assim, estão com sérias dificuldades para fechar o ano letivo de 2020. O COVID-19 tornou-se um catalisador para que as instituições de ensino em todo o mundo procurassem soluções inovadoras em um período relativamente curto. Segundo Wilson Azevedo, um número significativo de instituições de ensino teve que improvisar, e criou, segundo sua percepção, a “Gambiarra Educacional”, o ensino remoto. Colocando uma lupa social no Brasil, percebemos que o estrago é bem maior, o que já era péssimo (educação brasileira, avaliada nos últimos anos por exames nacionais e internacionais), deixou de existir,  estamos desde de março de 2020, sem aulas presenciais (em razão do isolamento social) e um plano “Z” de retomada, na maioria das propostas não levando em considerações cenários futuros. Esse vácuo na vida educacional brasileira, provavelmente, terá sérias consequências no futuro.
 
Hoje, é fácil perceber o maior problema de todos, a desigualdade social, por conseguinte aumentará, e parcelas consideráveis da população brasileira (os mais pobres, sem instrução e qualificação) ficarão sem condições de competir numa economia baseada nas tecnologias (Educação de Qualidade). A sensação que temos é que todos querem voltar o mais rápido possível para março de 2020, e fechar o ano letivo conforme planejado. Esse pit stop inesperado, bem que poderia ser um bom motivo, para perceber que é o momento de discutir uma solução para a educação brasileira. Mesmo na escuridão, no fundo do poço, é necessário inovar, sair da caixinha, debater soluções que possamos colocar a sociedade brasileira em condições de competir com as nações desenvolvidas no século XXI, e para isso só existe um antídoto – EDUCAÇÃO. Existirá uma luz no fundo do poço? Para responder essa questão, tomo a liberdade de usar, um dos parágrafos do prefácio, escrito pelo Dr. Ozires Silva (Fundador da Embraer), do Livro “A EDUCAÇÃO 4.0, do autor Dr. Cassiano C Neto, como uma lanterna, para iluminar essa escuridão”. 
 
“Com o título desse livro o autor propõe a EDUCAÇÃO 4.0. Acredito que não seja difícil, aos analistas e pesquisadores, aceitar que o conceito 4.0, criado para a indústria, possa ser estendido para outros campos do conhecimento, como o da Educação. Também entendemos que a Educação seja o piso fundamental da vida competente e dos grandes conhecimentos essenciais para o êxito no mundo moderno. Assim, o uso da expressão se transforma e oferece caráter fundamental para pensarmos que uma atividade industrial não deixa de precisar de novos horizontes do ensino e da aprendizagem, para contar com a preparação e a capacidade educacional de cada cidadão do mundo! Para tanto, é que podemos compreender a razão desse compêndio!”
 
Esta obra apresenta, o modelo teórico-tecnológico, fundamentado em quatro pilares: o Modelo Sistêmico de Educação, a Educação Científica e Tecnológica, a Engenharia e Gestão do Conhecimento e a Ciberarquitetura – Daí surge a “EDUCAÇÃO 4.0”.
 
Concluo o texto, em uma imersão no pensamento de José Saramago - A pior cegueira é a mental, que faz com que não reconheçamos o que temos pela frente. Estamos imersos na dor/medo da Pandemia, e na maioria dos casos, não percebemos o quanto é importante uma boa educação, principalmente uma alfabetização cientifica - Aprendi a não tentar convencer ninguém.