Eleitorado conservador-religioso tende a se dividir entre quatro candidaturas

29/09/2020

Por: CEFAS CARVALHO
 
 
Tradicionalmente, em municípios de turno único, sem eleitorado suficiente para que haja um segundo turno, muitas candidaturas de oposição tendem a beneficiar a candidatura do prefeito que tenta reeleição. É uma matemática política bem simples e que já se mostrou fato em diversos municípios potiguares ao longo dos pleitos.
 
Contudo, em Parnamirim nesta campanha de 2020 esta conta pode se tornar uma equação mais complexa. Isso porque com cinco candidaturas registradas pela Justiça Eleitoral, uma é a do prefeito Rosano Taveira (PRB), que busca reeleição, e quatro tecnicamente de oposição. Mas, como dissemos, a conta é mais complexa.
 
Dos principais adversários de Taveira, o que mais salta aos olhos é Maurício  Marques (PROS), justamente ex-prefeito do município e que apoiou Taveira, a quem critica duramente por não manter compromissos. "Taveira não olha nos olhos das pessoas, ele promete sabendo que não vai cumprir", já disse Maurício em entrevista à PNTV. Maurício tem o apoio da governadora Fátima Bezerra e também do PC do B do vive governador Antenor Roberto, partido de onde é seu companheiro de chapa, notário Airene Paiva.
 
As demais três candidaturas são de oposição a Taveira, mas, curiosamente, dialogam com o mesmo eleitorado do prefeito.
 
Taveira é tenente-coronel reformado, tem o voto e a simpatia dos militares e da Direita Conservadora, e na eleição vitoriosa de 2016 atraiu o eleitorado evangélico por contar como vice Elienai Cartaxo, liderança evangélica no município.
 
Acontece que Elienai rompeu com Taveira, também afirmando que o prefeito não cumpre compromissos, e se tornou candidata a vive da vereadora Professora Nilda Cruz, esta oposição a Taveira desde o primeiro momento, também evangélica e respeitada pelos conservadores de Parmamirim.
 
Outra mulher candidata é a empresária e pedagoga Francisca Henrique, que foi secretária de Educação da gestão Taveira, e, assim como Mauricio e Elienai, critica duramente o prefeito, a quem acusa de não ter dado condições de trabalho e de, novamente, não cumprir compromissos. Francisca é do Podemos, do Senador Styvenson Valentim, que tem votos e apoios justamente do eleitorado bolsonarista con servador, com simpatia pelo militarismo.
 
A quinta candidatura é de um militar. Coronel Jori Dolvim, que tem o apoio do vice-presidente Hamilton Mourão, e sonha com os votos dos militares residentes na cidade e dos bolsonaristas.
Temos portanto, entre as quatro candidaturas que se dizem de oposição a Taveira, apenas uma que disputa o eleitorado mais progressista. Dolvim, Francisca (com a presença de Styvenson) e o próprio Taveira disputam o voto militar-policial. 
 
Já o voto evangélico é disputado tanto por Francisca e pelo próprio Dolvim, pelo conservadorismo e ligação com o governo Bolsonaro, como principalmente por Nilda e Elienai, por elas estarem organicamente ligadas à vida religiosa, ao contrário dos demais. Taveira sonha com o voto dos evangélicos, mas a saída de Elienai pode prejudicar seu projeto, e a sua companheira de chapa Kátia Pires, não obstante o reconhecido trabalho sério como vereadora, não tem ligação particular com movimentos evangélicos ou religiosos.
 
Nesta equação, as candidaturas de Nilda, Elienai e Francisca tendem a tirar votos do eleitorado de Taveira, que lidera as pesquisas, mas terá dificuldades para dialogar com o eleitorado conservador-religioso.
 
Em contrapartida, a candidatura Maurício navega em águas tranquilas entre o eleitorado progressista e tende a avançar em cima dos indecisos. Ainda é cedo para fechar a conta e a campanha oficialmente começou há poucos dias. Mas, essa equação deve ser bem estudada.